Após uma sequência de recuos, anúncios e desistências, Republicanos confirma candidatura do senador ao Governo de Minas; liderança nas pesquisas transforma Cleitinho em ativo estratégico — e também em desafio — para o projeto presidencial do PL
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) voltou oficialmente ao tabuleiro pelo Governo de Minas Gerais na noite desta sexta-feira, 7 de agosto, durante uma coletiva realizada na Praça do Santuário, oficialmente Praça Governador Benedito Valadares, em Divinópolis, seu principal reduto político. O anúncio ocorreu depois de a direção nacional do Republicanos autorizar sua candidatura ao Palácio Tiradentes. Ao lado do ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão, escolhido para vice, Cleitinho afirmou que pretende governar para todos e reforçou uma agenda municipalista, defendendo “menos Estado e mais município”. A confirmação encerra, ao menos por enquanto, uma das novelas mais imprevisíveis da eleição mineira.
A trajetória até a praça de Divinópolis foi marcada por sucessivas mudanças. Em fevereiro, Cleitinho pediu uma pausa nas articulações após o diagnóstico de leucemia do irmão Matheus, que posteriormente morreu. Em maio e junho, voltou a afirmar publicamente que desejava disputar o governo e chegou a dizer no Senado que não estava “à venda”. Em 25 de julho, não compareceu à convenção do Republicanos por estar de luto; quatro dias depois, a legenda divulgou uma dura nota afirmando que faltava ao senador uma “decisão firme”. Naquela mesma noite, Cleitinho foi à Praça do Santuário e respondeu que seria candidato. Dias depois, apareceu ao lado dos dirigentes partidários anunciando que não concorreria. Nesta sexta, veio mais uma virada: o Republicanos recuou do recuo e devolveu a candidatura ao líder das pesquisas.
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A dimensão nacional da decisão aparece nos números. A mais recente Genial/Quaest em Minas, realizada entre 22 e 26 de julho, colocou Cleitinho com 35%, muito à frente de Alexandre Kalil, com 12%, Patrus Ananias, com 10%, Mateus Simões, com 6%, e Flávio Roscoe, candidato escolhido pelo PL, com apenas 2% no cenário mais amplo. O contraste ajuda a explicar o tamanho do dilema de Flávio Bolsonaro. O PL passou cerca de quatro meses tentando construir uma aliança com Cleitinho, mas, depois das indefinições, Rogério Marinho anunciou que a legenda manteria Roscoe. O problema é simples: Minas possui 16.377.659 eleitores, 10,32% do eleitorado nacional e o segundo maior colégio eleitoral do Brasil. Ter ao lado um candidato competitivo ao governo significa palanque, militância, prefeitos, agenda conjunta e capacidade de transferir a eleição presidencial para o debate local.
É justamente aí que a volta de Cleitinho pode mexer na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Apesar da relação turbulenta entre Republicanos e PL em Minas, o senador mineiro já declarou de forma inequívoca no Senado que seu candidato ao Planalto é Flávio e chegou a defender apoio de “101%” ao presidenciável, independentemente de receber ou não o apoio do PL em seu estado. Para Flávio, portanto, Cleitinho pode representar um cabo eleitoral extremamente valioso num território que responde por mais de um décimo dos votos brasileiros. Mas há uma equação ainda sem solução: se o PL mantiver Roscoe contra o próprio Cleitinho, poderá ter dois palanques de direita concorrendo pelo Governo de Minas enquanto ambos disputam o mesmo eleitor para presidente. Depois de tantas idas e vindas, Cleitinho voltou ao jogo. Agora, a pergunta já não é apenas se ele pode chegar ao governo mineiro — as pesquisas mostram que pode —, mas quanto sua força eleitoral poderá ajudar, ou a falta de acordo poderá atrapalhar, Flávio Bolsonaro na corrida pelo Palácio do Planalto.




