Facções brasileiras viram “escola do crime” no Uruguai; PCC tem 51 integrantes presos no país

Foto: Polícia do Uruguai
Foto: Polícia do Uruguai

Um relatório de inteligência do Ministério do Interior do Uruguai apresentado ao Mercosul acendeu o alerta sobre a expansão da influência de organizações criminosas brasileiras no país. O levantamento identifica 88 presos ligados a cinco facções do Brasil, dos quais 51 são associados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), 19 a Os Manos, nove ao Primeiro Comando da Fronteira (PCF), sete a Os Tauras e dois ao Bala Na Cara.

 

A investigação ganhou força depois de uma revista realizada em maio de 2025 na prisão de Libertad. Um celular apreendido continha um grupo de WhatsApp chamado “Sistema do Uruguay”, com oito participantes. A análise revelou conexões, áreas de influência e códigos internos atribuídos ao PCC. Para a inteligência uruguaia, métodos desenvolvidos por facções brasileiras passaram a servir como uma espécie de “escola criminal” para grupos locais. O relatório, porém, ressalva que não foram comprovadas, até agora, operações diretas dessas organizações comandadas de dentro do sistema penitenciário uruguaio.

 

A preocupação não está restrita às prisões. Operações oficiais realizadas em 2026 confirmam movimentações de grupos brasileiros na faixa de fronteira: em janeiro, a Polícia uruguaia realizou 22 buscas contra uma organização ligada a Os Manos, em Artigas; em março, uma ação conjunta com autoridades brasileiras capturou em Río Branco um homem apontado como liderança do Primeiro Comando da Fronteira. Em outro megaoperativo, investigadores identificaram uma rede transnacional de comércio de armas vinculada a uma facção brasileira.

 

O avanço dessas estruturas colocou o crime organizado transnacional no centro da agenda de segurança uruguaia. O governo vem ampliando a inteligência penitenciária e a cooperação com Brasil e outros países, enquanto o Mercosul fortalece mecanismos conjuntos contra narcotráfico, tráfico de armas e organizações que atravessam fronteiras. O diagnóstico uruguaio mostra que o problema já não pode ser tratado como fenômeno exclusivamente brasileiro: a metodologia das facções atravessou a fronteira e passou a influenciar o ecossistema criminal do país vizinho. Você quer que eu compare esse relatório uruguaio com a atuação recente do PCC e de outras facções na fronteira com o Brasil?

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