Departamento de Estado transforma a presença on-line em etapa formal da análise consular; turistas B1/B2 continuam informando seus perfis, mas não aparecem na lista pública da nova exigência para manter contas abertas
WASHINGTON — O Departamento de Estado dos Estados Unidos, comandado pelo secretário Marco Rubio, ampliou a revisão da presença digital de estrangeiros que solicitam determinadas categorias de visto. Conforme o comunicado oficial publicado em 25 de março de 2026, a medida entrou em vigor em 30 de março e determina que os candidatos atingidos ajustem todos os seus perfis nas redes sociais para “público” ou “aberto”. A regra alcança estudantes e intercambistas F, M e J; profissionais H-1B e dependentes H-4; participantes do programa H-3 e seus dependentes; trabalhadores religiosos R-1 e R-2; noivos, cônjuges e dependentes K-1, K-2 e K-3; participantes de intercâmbio cultural Q; empregados domésticos vinculados a diplomatas ou organismos internacionais nas categorias A-3, C-3 e G-5; além dos vistos S, T e U. Embora a decisão seja atribuída politicamente a Rubio, o texto público é um ato institucional do Departamento de Estado, e não uma ordem individual assinada pelo secretário.
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A mudança não significa que Washington tenha começado agora a examinar redes sociais. Desde 31 de maio de 2019, os formulários DS-160, para vistos temporários, e DS-260, para imigração, solicitam de quase todos os candidatos os nomes de usuário ou identificadores utilizados nas plataformas indicadas durante os cinco anos anteriores. Quem nunca possuiu conta pode responder “None”, mas quem utilizou as redes precisa informar os identificadores solicitados. A diferença introduzida pela gestão Rubio está no acesso: para as categorias incluídas na nova diretriz, não basta declarar o perfil; a conta deve permanecer acessível ao público para a verificação. Os vistos turísticos e de negócios B1/B2 não constam da lista publicada em março que manda abrir as contas, embora seus requerentes continuem sujeitos ao preenchimento das informações sobre redes sociais no DS-160 e à triagem geral de segurança. Portanto, dizer que todo turista será automaticamente obrigado a liberar seus perfis seria transformar o comunicado em algo que ele não diz — e a burocracia americana já é rígida o bastante sem a ajuda da desinformação.
RUBIO VAI COBRAR REDES SOCIAIS ABERTAS
Na prática, o candidato preencherá o formulário com seus identificadores digitais, apresentará os documentos correspondentes à categoria solicitada e passará pela entrevista consular. Para os grupos abrangidos, os perfis deverão estar públicos para auxiliar na confirmação da identidade e na avaliação da elegibilidade para o visto. O Departamento afirma que utiliza “todas as informações disponíveis”, mas não revela algoritmos, palavras-chave, critérios completos de busca, quantidade de publicações examinadas nem por quanto tempo as contas deverão permanecer abertas. Também não informa que os agentes terão acesso a mensagens privadas: o FAQ oficial estabelece que senhas não serão solicitadas e que os servidores não conseguem alterar os controles de privacidade definidos pelo usuário. Quando a análise não permitir uma decisão imediata, o pedido poderá ser recusado sob a seção 221(g) da Lei de Imigração e Nacionalidade e encaminhado para processamento administrativo, cujo prazo varia conforme o caso.
Publicações que contradigam informações relevantes do formulário, indiquem fraude, revelem finalidade diferente da declarada ou apontem possível enquadramento nas causas legais de inadmissibilidade poderão influenciar a decisão. Omissões ou informações falsas podem provocar atraso ou recusa; quando houver fraude ou declaração material deliberadamente enganosa, a seção 212(a)(6)(C)(i) admite inabilitação permanente, ressalvada eventual dispensa prevista em lei. O Departamento afirma, contudo, que o visto não pode ser negado com base apenas em raça, religião, origem, gênero, orientação sexual ou opinião política. A orientação vale para pedidos novos e renovações submetidos à análise, enquanto o comunicado de março não obriga expressamente todos os atuais portadores de vistos válidos a abrir imediatamente suas contas. A recomendação objetiva é informar corretamente os identificadores, manter coerência entre formulário, entrevista e perfis e não esconder contas existentes: no novo modelo americano, o passaporte continua físico, mas parte da fronteira já está instalada na tela do celular.
DOCUMENTOS OFICIAIS
Comunicado de 25 de março de 2026 — ampliação da revisão de presença on-line
https://travel.state.gov/content/travel/en/News/visas-news/announcement-of-expanded-screening-and-vetting-for-visa-applicants.html
Comunicado de 3 de dezembro de 2025 — vistos H-1B, H-4, F, M e J
https://travel.state.gov/content/travel/en/News/visas-news/announcement-of-expanded-screening-and-vetting-for-h-1b-and-dependent-h-4-visa-applicants.html
FAQ oficial sobre identificadores de redes sociais nos formulários DS-160 e DS-260
https://travel.state.gov/content/dam/visas/Enhanced%20Vetting/CA%20-%20FAQs%20on%20Social%20Media%20Collection%20-%206-4-2019%20%28v.2%29.pdf
Departamento de Estado — fundamentos e consequências da recusa de vistos
https://travel.state.gov/content/travel/en/us-visas/visa-information-resources/visa-denials.html
Departamento de Estado — regras do processamento administrativo
https://travel.state.gov/content/travel/en/us-visas/visa-information-resources/administrative-processing-information.html
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