EUA revogam visto da embaixadora brasileira e aprofundam crise com Lula — mas não há expulsão formal
Medida contra Maria Luiza Viotti foi apresentada como resposta à negativa de vistos para diplomatas americanos e à demora do Brasil em aceitar o embaixador indicado por Donald Trump.
O governo dos Estados Unidos revogou nesta terça-feira, 4 de agosto de 2026, o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em mais um capítulo da deterioração diplomática entre as administrações de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar da gravidade do gesto, o Departamento de Estado esclareceu que a diplomata não foi formalmente expulsa nem declarada “persona non grata”. A decisão é reversível, mas deixa a principal representante brasileira no país em situação política e funcional delicada.
Washington classificou a medida como uma resposta de reciprocidade. Em julho, o governo Lula negou vistos a Riley Barnes, secretário-assistente de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e a um integrante de sua equipe. Os americanos pretendiam visitar Brasília entre 27 e 30 de julho para discutir integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão. O Planalto sustentou que a missão poderia representar interferência na eleição brasileira de outubro; o Departamento de Estado rejeitou a acusação e afirmou que a viagem tinha caráter institucional.
Outro ponto central da crise é a resistência do Itamaraty em conceder o agrément, autorização diplomática indispensável, a Daniel “Danny” Perez, escolhido por Trump para comandar a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. O governo brasileiro argumenta que Washington anunciou a indicação antes de receber a concordância formal do Brasil, contrariando o procedimento diplomático tradicional. Já os Estados Unidos afirmam que Lula vem retardando deliberadamente a aprovação e condicionaram a restauração do visto de Viotti a uma solução para o impasse.
Primeira mulher a chefiar a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, Viotti apresentou suas credenciais em junho de 2023 e possui uma extensa carreira no Itamaraty e na Organização das Nações Unidas. A revogação não fecha a embaixada, não rompe relações diplomáticas e tampouco equivale juridicamente a uma expulsão, mas representa um constrangimento raro para o Brasil. Depois de negativas de vistos, tarifas comerciais e sucessivos choques políticos, a diplomacia de Lula colhe agora uma crise em que até o passaporte da embaixadora virou instrumento de pressão.
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