Em um xadrez político onde a lealdade costuma ser artigo de luxo, o ex-interventor da segurança pública do Distrito Federal, Ricardo Cappelli, acaba de fazer seu movimento mais audacioso — e cínico — até agora. Durante a convenção do PSB que o projetou como candidato ao Palácio do Buriti, o discurso que deveria ser de aliança revelou-se uma verdadeira operação de sabotagem contra a hegemonia do Partido dos Trabalhadores na capital.
A palavra de ordem escolhida por Cappelli foi “unidade”. No dialeto peculiar que domina os bastidores da aliança do governo federal, no entanto, essa “unidade” carrega um significado implacável: o PT deve aceitar o papel de coadjuvante na chapa e baixar a cabeça. Para adoçar a pílula amarga que tenta empurrar goela abaixo dos aliados, o candidato do PSB apelou para uma tática rasteira: o assédio retórico disfarçado de bajulação.
“E dia sim, outro também, a militância do PT vem no meu ouvido, baixinho e fala: Capelli, eu sou do PT, mas vou votar em você.”
A narrativa da militância petista que precisa sussurrar apoio nas sombras é uma jogada calculada na arte da malícia política. Ao afirmar publicamente que a base lulista já foi cooptada e age na surdina, Cappelli tenta esvaziar qualquer força de uma candidatura própria do PT. É a velha estratégia de plantar a semente da discórdia e projetar fraqueza no adversário interno, isolando os caciques da sigla enquanto usurpa suas fundações.
Mas o verdadeiro golpe, permeado por uma ironia cortante, veio no encerramento da fala. Ao bradar que “unidade não se confunde com submissão” e que no PSB não se coloca “cabresto”, o ex-interventor mirou diretamente no conhecido modus operandi do PT, que historicamente sufoca aliados para garantir o protagonismo. A sagacidade de Cappelli beira o escárnio: ele exige que o partido do presidente da República aceite um humilhante lugar secundário, ao mesmo tempo em que repudia agressivamente qualquer tentativa do PT de liderar o bloco.
Enquanto o atual Governo do Distrito Federal mantém a máquina pública operante, com foco na estabilidade e na continuidade de entregas reais para a população, a oposição parece presa em um roteiro amador de autofagia. O espetáculo protagonizado por Cappelli deixa cristalino que, para o grupo que tenta tomar o poder no DF, o projeto de cidade fica completamente em segundo plano.
O que está em jogo, acima de tudo, é quem vai segurar a caneta na disputa interna de egos. Resta saber se o PT vai aceitar morder a isca e vestir o “cabresto” moldado pelo PSB em nome de uma suposta sobrevivência nas urnas.

Fique por dentro dos bastidores do poder na capital! Acompanhe o DFMobilidade e não perca nenhuma análise exclusiva sobre a política e o desenvolvimento do Distrito Federal. Deixe sua opinião nos comentários!
- Instagram: @dfmobilidade
- X (antigo Twitter): @dfmobilidade
- Facebook: /dfmobilidade
- Portal: Acesse nosso site e participe do debate!






