Os fortes ventos que atingiram os estados do Rio de Janeiro e São Paulo nesta última quarta-feira, com rajadas chegando a 105 quilômetros por hora na capital fluminense, causaram estragos e perdas trágicas, levantando questionamentos sobre a influência de grandes anomalias climáticas.
Meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) esclareceram que o evento extremo foi provocado pela formação de uma zona de baixa pressão atmosférica e pelo deslocamento acelerado do ar nas camadas superiores da atmosfera.
Esse conjunto de fatores dinâmicos gerou uma linha de tempestades a partir de uma frente fria instalada no Sul do Brasil, criando o que os especialistas classificam como uma frente de rajada.
Essa estrutura climática é capaz de avançar de forma extremamente rápida e violenta, muitas vezes antes mesmo de a própria chuva atingir o solo.
Apesar da força atípica dos ventos, os pesquisadores afirmam que ainda não é possível associar o episódio diretamente ao El Niño.
Embora as previsões alertem que a atual temporada possa registrar um dos eventos mais intensos das últimas décadas no aquecimento das águas do Oceano Pacífico, as frentes de rajada e as linhas de instabilidade são fenômenos que podem ocorrer em qualquer momento do ano, mesmo sem a presença dessa anomalia global.
Especialistas ponderam que a maior constância de frentes estacionárias na Região Sul tem, de fato, uma ligação com o El Niño, e isso pode ter atuado como um gatilho indireto para a formação do evento.
Contudo, ressaltam que apenas com estudos científicos mais profundos e minuciosos será viável comprovar de maneira incontestável qualquer vínculo definitivo entre a ventania no Sudeste e a consolidação do chamado Super El Niño.






