Inadimplência cobra a conta do Santander: lucro cai 17,6% e R$ 7,1 bilhões evaporam na Bolsa

agencia_santander_2

Balanço também revela redução de 6.591 funcionários e fechamento de 178 lojas em um ano; números indicam forte pressão sobre o banco, mas não risco de quebra.

 

A inadimplência cobrou a conta do Santander Brasil nesta quarta-feira (29 de julho). O banco registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 3,014 bilhões no segundo trimestre de 2026, queda de 20,4% ante os três primeiros meses do ano e de 17,6% na comparação anual. O retorno sobre o patrimônio recuou de 16,4% para 12,5%. Na B3, as ações SANB11 despencaram 7,37%, para R$ 25,63, eliminando cerca de R$ 7,1 bilhões em valor de mercado. (Santander RI, dados do fechamento)

 

O foco da pressão está no crédito. As provisões líquidas contra perdas alcançaram R$ 7,654 bilhões, alta de 20,6% no trimestre e de 11,5% em um ano. A inadimplência superior a 90 dias passou de 2,6% para 3,3%, enquanto a margem financeira caiu para R$ 15,341 bilhões. O próprio banco atribuiu parte do resultado aos juros elevados, ao endividamento das famílias e à revisão dos critérios de reconhecimento de prejuízos. É a tradução bancária do cenário já mostrado pelo DFMOBILIDADE: o juro caiu, mas o bolso continuou apertado.

 

O enxugamento da estrutura acendeu outro alerta. O quadro de funcionários caiu de 53.918 para 47.327 em 12 meses — redução de 6.591 postos —, enquanto o número de lojas recuou de 1.036 para 858. Os pontos de atendimento bancário diminuíram de 910 para 731. O balanço não informa quanto dessa redução decorreu de demissões, rotatividade ou outros ajustes, mas revela que a tesoura já chegou à estrutura física e ao pessoal. (informe oficial do 2º trimestre)

 

Apesar da deterioração, seria incorreto falar em quebra ou insolvência. O Santander encerrou junho com R$ 1,286 trilhão em ativos, patrimônio líquido de R$ 98,2 bilhões e Índice de Basileia de 15,3%. A crise é de rentabilidade e qualidade do crédito, não de segurança imediata dos depósitos. O resultado enfraquece o discurso de melhora econômica do governo Lula e contrasta com o período em que os bancos bateram recorde de lucro no país. Desta vez, a conta saiu do balcão do cliente e entrou no balanço do banco.

 

Comentários

Políticas de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.