ARTIGO DE OPINIÃO
Paula conquistou o partido que a vetou; falta conquistar o eleitor
De 2022 a 2026, a deputada trocou o papel de insurgente pelo comando do PSDB-DF. A candidatura está encaminhada; a vitória, porém, continua longe das pesquisas.
Em 2022, Paula Belmonte chegou à porta do Buriti sem controlar a chave da própria federação. Deputada federal pelo Cidadania, inicialmente defendia Reguffe para o governo e admitia disputar o GDF caso o aliado preferisse o Senado. Quando a engenharia desandou, lançou o próprio nome, enfrentou Izalci Lucas e perdeu a indicação da Federação PSDB-Cidadania por 13 votos a 6. O DF Mobilidade registrou o desfecho daquela guerra interna. Paula judicializou a disputa, depois fez um acordo e acabou eleita deputada distrital com 17.208 votos. Izalci ganhou a convenção, mas terminou a eleição ao governo em sexto lugar, com apenas 4,26%. Primeira lição do velho manual político: vencer no partido não significa vencer na urna.
Quatro anos depois, o espelho virou. Izalci deixou o PSDB, filiou-se ao PL e terminou vítima do mesmo mecanismo que utilizou contra Paula: lançou-se ao Buriti, foi desautorizado pela direção partidária e acabou deslocado para a disputa de deputado federal. Paula fez o caminho inverso: filiou-se ao PSDB, assumiu a presidência regional, ganhou respaldo da direção nacional e terá sua candidatura submetida à convenção marcada para 4 de agosto. Além disso, ocupa a segunda vice-presidência da Câmara Legislativa e acumulou quatro anos de exposição local. Em linguagem de bastidor, agora ela tem a caneta, o ninho e a nominata. Mais condições para ser candidata? Sem dúvida.
O paradoxo começa quando candidatura e viabilidade são tratadas como sinônimos. Em 2022, o grupo de Paula sustentava que pesquisas e competitividade deveriam orientar a escolha da federação. Em 2026, os mesmos critérios ainda não favorecem a deputada. No levantamento mais recente do Paraná Pesquisas, Paula aparece com 3,6% no cenário com José Roberto Arruda e 7,2% sem o ex-governador. Celina Leão registra, respectivamente, 34,6% e 45,9%. Pesquisa é fotografia, não sentença — mas também não é papel de parede para ser ignorado quando os números incomodam.
O que sustenta a confiança de Paula é uma combinação de convicção pessoal, presença nas regiões administrativas, controle partidário e expectativa de crescimento durante a campanha. Ela também rejeita ser vice e afirma defender um novo projeto, com mulheres ocupando o protagonismo. São razões legítimas para concorrer, mas ainda insuficientes para anunciar vitória.
Para chegar ao Buriti, precisará transformar discurso em recall, montar uma coligação robusta, furar a polarização e multiplicar várias vezes sua atual intenção de voto. Em 2022, faltou a Paula o aval do partido. Em 2026, o aval está em suas mãos. O eleitor, por enquanto, ainda não assinou embaixo.






