Aliados no Planalto, petistas e socialistas descobriram no DF que a “unidade progressista” é maravilhosa — desde que o outro aceite ser vice.
Brasília tem dessas delicadezas: os partidos anunciam união com voz solene e, minutos depois, sacam a fita métrica para decidir quem terá o nome maior no cartaz.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, procurou o ministro Paulo Pereira, do PSB, para uma conversa de cúpula marcada para esta quinta-feira, 30 de julho. A missão seria aproximar Leandro Grass e Ricardo Cappelli. Seria. Porque o impasse público tem menos relação com projetos para o Distrito Federal e mais com um pronome de apenas duas letras: “eu”.
O PT quer a cabeça da chapa. O PSB também. E ninguém parece interessado no pescoço.
Grass carrega uma vantagem objetiva: foi segundo colocado em 2022, tem a militância petista, o apoio de outras legendas da esquerda e aparece à frente de Cappelli nas pesquisas. O socialista, por sua vez, vende a imagem de candidato moderado, capaz de dialogar com o centro e escapar da rejeição histórica ao PT no DF.
Os dois já classificaram suas candidaturas como “irreversíveis” e, num requinte de generosidade eleitoral, ofereceram um ao outro exatamente o cargo que nenhum aceita: a vice. A esquerda brasiliense criou, assim, uma nova definição de unidade — todos juntos, desde que atrás de mim.
O DFMOBILIDADE já mostrou como PT e PSB transformaram o próprio palanque em ringue. Agora chegou a turma do extintor, embora ainda haja gente disputando quem aparecerá segurando a mangueira.
Os números tornam a cena ainda mais pitoresca. Na pesquisa Paraná registrada sob o número DF-01326/2026, Celina Leão aparece com 34,6%, Grass com 11,9% e Cappelli com 4,5%. Mesmo numa soma mágica — porque eleitor não é pacote transferível — os dois alcançariam 16,4%.
Ou seja: brigam pelo volante de um carro que ainda nem conseguiu sair do acostamento. A liderança de Celina e a fragmentação da oposição recomendariam humildade. Resolveram testar vaidade.
Aos políticos, fica o aviso: o eleitor não tem obrigação de financiar terapia coletiva para dirigente partidário. Se a reunião terminar com dois candidatos, duas chapas e quatro discursos sobre “unidade”, não culpem a polarização, o algoritmo ou o clima seco de Brasília. PT e PSB terão construído a derrota com as próprias mãos — cuidadosamente, tijolo por tijolo, ego por ego.
Enquanto disputam quem será o comandante da oposição, Celina pode assistir do camarote. Pega fogo, cabaré. O adversário agradece.






