Ex-PT e ex-PSB, Marcelinho Carioca disputa o DF; Cappelli lidera fila dos “forasteiros” rumo ao Buriti

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Celebridades e figuras de projeção nacional tentam converter fama em votos, embora apresentem pouca ou nenhuma experiência eleitoral construída nas regiões administrativas.

Brasília parece ter virado janela de transferências da política. O nome da vez é Marcelinho Carioca, anunciado como pré-candidato a deputado distrital pelo Republicanos. A indicação deverá passar pela convenção partidária de quinta-feira, 30 de julho. Antes de vestir a camisa conservadora, o ex-jogador disputou eleições em São Paulo pelo PSB, filiou-se ao PT e chegou a exercer brevemente um mandato de deputado federal como suplente.

Marcelinho jogou pelo Brasiliense e participou recentemente de agendas esportivas e sociais na capital, mas nunca exerceu mandato nem administrou políticas públicas do DF. Cobrança de falta não prepara ninguém para enfrentar fila de hospital, transporte lotado ou regularização fundiária. A convenção foi confirmada pelo Republicanos⁠.

Ricardo Cappelli, socialista, tenta um salto ainda maior. Carioca, com trajetória administrativa construída principalmente no Rio de Janeiro, no Maranhão e no governo federal, ele foi lançado pelo PSB como pré-candidato ao Governo do Distrito Federal.

Doce ironia. Seu principal trabalho direto na estrutura local foi a intervenção federal de apenas 23 dias na Segurança Pública, após o 8 de Janeiro. Não é correto apagar essa atuação, que chegou a render a Cappelli o título de Cidadão Honorário de Brasília, mas também seria exagero transformá-la em longa experiência de gestão distrital. O próprio PSB afirma que o pré-candidato passou 17 meses percorrendo as regiões administrativas.

Conhecer o DF em caravana pré-eleitoral, porém, não equivale a prestar contas durante anos ao eleitor. Brasília não pode ser tratada como programa de estágio para candidato ao Buriti. A pré-candidatura foi oficializada pelo PSB⁠.

O elenco de nomes conhecidos que tenta transformar projeção nacional em voto no DF reúne:

1) Marcelinho Carioca, ex-PSB e ex-PT, agora no Republicanos;

2) Ricardo Cappelli, candidato do PSB ao GDF sem mandato conquistado nas urnas locais;

3) Washington “Coração Valente”, nascido em Brasília, mas com carreira política construída em Caxias do Sul e como suplente de deputado pelo Rio Grande do Sul, agora pré-candidato a federal pelo DF;

4) Cristiane Britto, ex-ministra de Bolsonaro apresentada pelo Republicanos como pré-candidata à Câmara, sem mandato anterior representando Brasília;

5) Michelle Bolsonaro, brasiliense de Ceilândia e principal nome cogitado pelo PL para o Senado, embora sua decisão ainda dependa da convenção. Washington e Michelle não são forasteiros de nascimento; a ressalva é necessária.

A questão, nesses casos, é outra: quanto da notoriedade nacional será traduzido em propostas concretas para o Distrito Federal?

Ter domicílio eleitoral torna a disputa legal; não transforma automaticamente ninguém em representante legítimo da realidade candanga. O eleitor deve perguntar onde esses nomes estavam antes da temporada dos santinhos, quais resultados entregaram ao DF e que conhecimento possuem sobre as 35 regiões administrativas.

O DFMobilidade já mostrou que PT e PSB chegam divididos à eleição local⁠ e revelou quanto Cappelli investiu para ampliar seu alcance nas redes⁠. Fama pode abrir o microfone, mas não deve substituir currículo: Brasília merece representantes, não turistas eleitorais.

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