Um relatório recente elaborado por economistas do JPMorgan alerta que a rápida intensificação do fenômeno climático El Niño, somada aos altos preços do petróleo gerados pelos conflitos no Oriente Médio, pode adicionar até 1,5 ponto percentual à inflação global de alimentos.
A projeção indica que os preços podem ser empurrados a uma taxa anualizada de 5% no primeiro semestre de 2027.
Isoladamente, o evento climático elevaria a inflação alimentar em 0,7 ponto percentual no seu pico, mas o impacto quase dobra quando combinado com o encarecimento da energia, que afeta diretamente os custos de diesel, fertilizantes e embalagens.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica aponta uma probabilidade de 81% para a ocorrência de um El Niño muito forte entre os meses de outubro e dezembro.
Com as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico equatorial leste chegando a registrar quase 3 graus Celsius acima da média, os dados sugerem que este evento pode rivalizar com os fenômenos mais intensos já registrados desde o início das medições modernas em 1950. As previsões meteorológicas indicam que essas condições climáticas severas devem persistir até a primavera de 2027.
As economias de países emergentes estão na linha de frente desse impacto, enfrentando o risco de secas em partes da Ásia e chuvas intensas e destrutivas na América do Sul.
Países como Brasil, Índia, Indonésia e Colômbia foram classificados como especialmente vulneráveis, uma vez que a alimentação representa uma parcela maior nas despesas dos consumidores e o setor agrícola é altamente sensível às variações climáticas.
Analistas alertam que o choque simultâneo no clima e na energia pode forçar os bancos centrais dessas nações a manterem as taxas de juros elevadas por um período mais longo, criando um cenário de risco para o crescimento econômico e reavivando o fantasma da estagflação.




