Petista oficializa candidatura ao governo de São Paulo em Campinas; presidente ataca adversários, fala em interferência estrangeira e anuncia novas etapas de sua campanha presidencial
O Partido dos Trabalhadores oficializou, neste sábado (25), a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo durante convenção realizada na Arena Concórdia, em Campinas. Márcio França, do PSB, foi confirmado como candidato a vice-governador, enquanto Simone Tebet e Marina Silva disputarão as duas vagas paulistas ao Senado. Previsto para começar às 9h, o evento teve início por volta das 11h e reuniu Lula, Geraldo Alckmin e dirigentes dos sete partidos que apoiam a chapa.
Embora tenha afirmado que estava em Campinas para falar de Haddad, Lula rapidamente ampliou o roteiro e transformou o palco estadual em prévia de sua própria campanha. O presidente anunciou que sua convenção nacional ocorrerá em 2 de agosto e que pretende realizar, no dia 16, um ato no Estádio da Vila Euclides. Também acusou adversários de recorrerem à inteligência artificial para espalhar mentiras e tentou associar a oposição ao crime organizado: “Aqui ninguém nasceu como miliciano, aqui ninguém nasceu com o crime organizado”, declarou. O tom confirma o ambiente eleitoral descrito pelo DFMobilidade na matéria sobre como julho abriu oficialmente a temporada das convenções e restringiu o uso da máquina pública.
Lula classificou Haddad como uma pessoa “exemplar”, elogiou sua lealdade e o apresentou como “o melhor ministro da Educação” e “o melhor ministro da Economia” da história do país. A propaganda veio em versão superlativa: o presidente atribuiu ao ex-ministro resultados relacionados ao emprego, à inflação, às exportações, ao salário mínimo e ao crescimento econômico, antes de prever que a chapa petista poderá vencer os adversários por “10 a 0”. O discurso passa ao largo das críticas à política fiscal conduzida por Haddad, já abordadas pelo DFMobilidade ao mostrar que o ex-ministro apostou repetidamente no aumento de impostos para fechar as contas do governo.
O trecho mais contundente foi reservado à soberania nacional. Lula declarou que “157 milhões de eleitores” decidirão o futuro do Brasil e advertiu: “Que não venha ninguém de fora meter o dedo nas nossas eleições. Esse país é nosso e aqui ninguém mete o bedelho”. Ao encerrar, afirmou que a convenção marcou o começo da caminhada para “recuperar o estado de São Paulo para a democracia”. Haddad, por sua vez, prometeu “devolver São Paulo aos paulistas” e concentrou seus ataques na gestão de Tarcísio de Freitas, especialmente nas áreas de educação, segurança, economia e privatizações.




