O Datafolha divulgado nesta sexta-feira, 24 de julho, coloca Luiz Inácio Lula da Silva com 48% das intenções de voto em uma eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que aparece com 43%. O levantamento ouviu 2.004 eleitores, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01166/2026. É uma fotografia do momento — não uma certidão antecipada de vitória, por mais que alguns já estejam procurando a faixa presidencial no armário.
A cautela encontra respaldo nas eleições de 2022. Na véspera do primeiro turno, o Datafolha apontou Lula com 50% dos votos válidos e Bolsonaro com apenas 36%, abrindo uma distância de 14 pontos e alimentando a possibilidade de vitória petista sem segundo turno. As urnas mostraram Lula com 48,43% e Bolsonaro com 43,20%: o instituto subestimou o então presidente em mais de sete pontos percentuais. No segundo turno, entretanto, a pesquisa final marcou 52% a 48%, resultado próximo dos 50,90% a 49,10% registrados nas urnas. Portanto, houve um tropeço grave, mas dizer que o instituto “sempre erra” seria trocar crítica por torcida.
A desconfiança de setores conservadores também é alimentada pela ligação institucional do Datafolha com o Grupo Folha e pelo fato de suas pesquisas eleitorais serem financiadas por empresas de comunicação, como a Folha de S.Paulo e a TV Globo. Esse vínculo pode justificar escrutínio sobre metodologia, amostragem e interpretação jornalística, mas não comprova, isoladamente, manipulação ideológica ou uma orientação estatística de esquerda. Pesquisa séria deve ser confrontada com outros institutos — e não tratada como evangelho eleitoral quando agrada nem como fraude automática quando contraria preferências.
O cenário permanece aberto. Levantamentos anteriores já apresentaram resultados diferentes: a Futura/Apex colocou Flávio Bolsonaro à frente de Lula, enquanto a Nexus/BTG apontou vantagem mais estreita do petista. O Datafolha entrega mais um retrato da disputa, mas a experiência de 2022 deixou uma lição incômoda: entre a prancheta do pesquisador e o botão da urna, às vezes cabe um eleitorado inteiro.




