O apito final da Copa do Mundo de 2026 não encerrou todas as disputas. O Grupo de Copenhague, rede internacional vinculada ao Conselho da Europa, confirmou a emissão de sete alertas amarelos após monitorar os 104 jogos do torneio. Outros 15 confrontos foram submetidos a vigilância reforçada e 12 grandes controvérsias passaram por análise de risco. Os avisos não comprovam manipulação, mas revelam movimentações atípicas que exigem investigação — porque, quando o dinheiro corre mais rápido que a bola, o futebol precisa desconfiar.
Entre os episódios examinados aparecem a expulsão do sul-africano Themba Zwane, uma movimentação milionária em apostas para que a Espanha não derrotasse Cabo Verde e a longa revisão do VAR que anulou um gol espanhol diante da Arábia Saudita. Também entrou no radar o caso do atacante norte-americano Folarin Balogun, expulso contra a Bósnia e posteriormente liberado pela Fifa para atuar diante da Bélgica, enquanto mercados de previsão apostavam justamente em sua presença na partida seguinte.
O episódio de Balogun já havia sido acompanhado pelo DFMobilidade, primeiro após a expulsão aplicada pelo árbitro brasileiro Raphael Claus e depois diante da pressão política que antecedeu a liberação do jogador pela Fifa. Agora, o caso deixa de ser apenas uma polêmica de arbitragem e passa a integrar uma discussão internacional sobre informações privilegiadas, mercados pouco regulados e decisões tomadas nos bastidores.
A Fifa afirma que sua força-tarefa acompanhou todas as partidas e não encontrou atividade suspeita de apostas nem indícios de manipulação. A declaração, porém, não elimina os alertas independentes: apenas mostra que os sistemas chegaram a conclusões diferentes. Sem provas, ninguém pode condenar jogadores, árbitros ou seleções; sem transparência, porém, também não se pode pedir que o torcedor simplesmente esqueça. O alerta está dado: a credibilidade do futebol depende de explicar cada lance — dentro e, principalmente, fora do campo.




