Sanção impede o registro de novos jogadores, mas não retira pontos nem afasta atletas já inscritos; clube precisa regularizar pendência pela compra de Marcos Antônio
Por Lucas Santana
O São Paulo Futebol Clube entrou nesta terça-feira, 21 de julho, na lista de clubes submetidos a um transfer ban pela Federação Internacional de Futebol (Fifa). A medida decorre do atraso da primeira parcela de aproximadamente € 1,05 milhão — cerca de R$ 6 milhões — referente à compra do volante Marcos Antônio junto à Lazio. A origem do compromisso está documentada pelos próprios clubes: em 2024, a equipe italiana anunciou o empréstimo com obrigação de compra condicionada a metas esportivas; em março deste ano, o São Paulo confirmou que as metas haviam sido alcançadas, tornou a aquisição definitiva e ampliou o contrato do jogador até dezembro de 2030.
Apesar do nome em inglês sugerir uma proibição geral de contratar, o transfer ban é, tecnicamente, uma proibição de registrar novos atletas. A Fifa determina que o clube punido não pode efetivar inscrições nacionais ou internacionais, de profissionais ou amadores, enquanto a medida estiver em vigor. O São Paulo ainda pode negociar e até assinar contratos, mas o jogador não poderá ser registrado nem disputar partidas oficiais ou amistosas. A punição também não significa perda de pontos, rebaixamento, exclusão de campeonato ou suspensão dos atletas que já pertencem ao elenco — é uma espécie de cadeado administrativo colocado na porta do mercado.
O impacto imediato foi reduzido porque Newton, Victor Sá e Aurélio Buta já constavam no Boletim Informativo Diário da Confederação Brasileira de Futebol. Segundo o São Paulo, os pedidos de registro de Victor Sá e Buta foram apresentados antes da comunicação da Fifa, razão pela qual os dois estão liberados para atuar. O clube havia anunciado oficialmente Victor Sá, com contrato até 2029, e Buta, vinculado inicialmente até junho de 2027. Em situação diferente está o zagueiro Domingos Duarte: enquanto não houver registro concluído, uma eventual contratação ficará congelada até a retirada formal do bloqueio.
Nas punições motivadas por obrigações financeiras, a Fifa prevê que o bloqueio possa ser suspenso depois que o clube pagar o valor exigido ou cumprir a determinação que originou o processo. Portanto, não é correto afirmar automaticamente que o São Paulo ficará três janelas sem registrar atletas: sem a íntegra pública da decisão específica, o cenário mais seguro é que o Tricolor precise acertar a dívida com a Lazio e aguardar a confirmação administrativa da entidade. O episódio amplia o alerta sobre a gestão financeira do clube, já pressionada pela crise institucional retratada pelo DFMobilidade no processo de impeachment da antiga presidência. A atuação disciplinar da entidade também foi detalhada na reportagem sobre o comitê da Fifa responsável pela aplicação de sanções.




