A agência espacial norte-americana enviou ao Congresso dos Estados Unidos uma estimativa orçamentária preliminar de aproximadamente 2,1 bilhões de dólares para o desenvolvimento da Space Reactor-1 Freedom.
Trata-se da primeira espaçonave interplanetária da NASA a ser impulsionada por energia nuclear, com lançamento programado para o final de 2028
A missão, que conta com o forte apoio do administrador Jared Isaacman, representa um marco histórico para a exploração espacial, sendo a primeira vez que um reator de fissão será utilizado para a propulsão de veículos muito além da órbita da Terra.
O plano de gastos detalhado abrange o período de 2026 a 2029, prevendo a alocação de 640 milhões de dólares no primeiro ano, 890 milhões no segundo, 415 milhões no terceiro e, por fim, 180 milhões de dólares no último ano do projeto.
O sistema de propulsão combinará um reator de fissão nuclear de 20 quilowatts, alimentado por urânio levemente enriquecido, com uma tecnologia de energia e propulsão inicialmente desenvolvida para a estação Lunar Gateway, projeto que atualmente encontra-se pausado.
A expectativa é que o reator entre em funcionamento pleno em até 48 horas após o lançamento, ativando propulsores iônicos elétricos capazes de viabilizar uma viagem com duração estimada de um ano até o planeta vermelho.
Apesar do valor bilionário da espaçonave, o orçamento divulgado ainda não contempla os custos da SkyFall, uma carga científica adicional planejada para enviar três helicópteros de nova geração à superfície marciana.
Essas aeronaves, descendentes diretas da tecnologia do helicóptero Ingenuity, terão a missão de explorar possíveis locais para futuros pousos humanos e mapear reservas de gelo de água subterrâneo com radares de penetração no solo.
A indefinição sobre o custo total da SkyFall gerou preocupação entre os pesquisadores, que temem o desvio de recursos de outras missões científicas prioritárias, como o programa de retorno de amostras de Marte.
Esse cenário de alerta se torna mais grave diante da proposta da administração Trump de reduzir o orçamento científico da NASA de 7,25 bilhões para menos de 3,9 bilhões de dólares no ano fiscal de 2027.
O desenvolvimento da espaçonave SR-1 Freedom insere-se em uma estratégia governamental muito mais ampla que visa incorporar tecnologias nucleares à infraestrutura espacial do país.
Uma diretriz recente emitida pela Casa Branca determinou que diversas agências, incluindo o Departamento de Energia e o Departamento de Defesa, desenvolvam em conjunto sistemas energéticos desse tipo, com planos que abrangem até a instalação de um reator de fissão na superfície da Lua previsto para 2030.
Com um custo estimado em cerca de 3 bilhões de dólares apenas para essa infraestrutura lunar, a nova frente de inovação tecnológica aumenta a pressão sobre os debates orçamentários, especialmente considerando que o Congresso já tem resistido aos cortes e aprovou um fundo de 24,4 bilhões para a NASA em 2026, valor quase 6 bilhões acima do que havia sido solicitado inicialmente pela presidência.




