Tico Santa Cruz expõe contradição do roqueiro que virou aquilo que combatia

Foto: Reprodução do Instagram
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No Dia Mundial do Rock, Tico Santa Cruz apresentou uma avaliação incômoda sobre o gênero e, principalmente, sobre parte de seus seguidores. O vocalista do Detonautas separou o rock, entendido como manifestação artística historicamente libertária e contestadora, do comportamento do roqueiro. Segundo ele, enquanto o estilo preserva a vocação de desafiar padrões, muitos fãs envelheceram e passaram a reproduzir exatamente a intolerância que sofreram na juventude.

 

Tico lembrou que, nas décadas de 1970 e 1980, jovens que ouviam rock eram frequentemente chamados de vagabundos, maconheiros ou drogados por adultos de comportamento conservador. A contradição aparece quando antigos alvos desse preconceito passam a usar os mesmos rótulos para desqualificar os artistas e os estilos consumidos pelas novas gerações. Em outras palavras, uma parcela dos rebeldes de ontem virou a patrulha de costumes de hoje — apenas trocou a jaqueta de couro pelo dedo apontado.

 

O cantor também criticou roqueiros que rejeitam bandas como Planet Hemp e Titãs quando seus integrantes se manifestam sobre assuntos polêmicos. Para ele, essa postura coloca o rock num ambiente conservador que não combina com sua história. A avaliação merece um contraponto: discordar das posições políticas de um artista não significa necessariamente rejeitar a liberdade ou a renovação musical. O problema começa quando a divergência abandona o debate e vira tentativa de silenciamento, censura ou desqualificação pessoal.

 

O alerta mais contundente de Tico está no futuro do gênero. Caso o rock não dialogue com os jovens nem reconheça as músicas produzidas por eles, poderá ficar restrito a festivais nostálgicos, pequenos pubs e a um público cada vez mais envelhecido, repetindo o processo de elitização observado no blues e no jazz. O rock que se recusa a renovar sua linguagem corre o risco de virar aquilo que sempre combateu: uma instituição fechada, previsível e preocupada demais em decidir quem pode ou não entrar.

 

 

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