O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta segunda-feira (13) a dispersão dos jogadores brasileiros depois da eliminação na Copa do Mundo. Durante visita aos laboratórios do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul, Lula ironizou o retorno da delegação: “Quase não tinha ninguém pra voltar no avião da Seleção, gente. Que vergonha”. Ao conhecer um robô desenvolvido por estudantes, ainda sugeriu que Carlo Ancelotti o contratasse para “bater como Haaland” e ajudar o Brasil a conquistar o Mundial.
A provocação presidencial teve como alvo um cenário incomum. Entre os 26 convocados, apenas o defensor Danilo, do Flamengo, utilizou o voo fretado pela CBF para retornar ao Rio de Janeiro. O goleiro de apoio Léo Nannetti, integrantes da comissão técnica e funcionários da entidade também estavam na aeronave. Os demais atletas haviam sido liberados para iniciar as férias ou seguir diretamente para seus clubes, enquanto Ancelotti viajou para Vancouver, onde mantém residência. Ou seja, o avião voltou vazio de jogadores, mas não exatamente abandonado.
Há, porém, um erro factual no texto do print: o Brasil não perdeu por 2 a 0. A derrota para a Noruega foi por 2 a 1, com dois gols de Erling Haaland e um gol de Neymar, de pênalti, nos acréscimos. O confronto e o desperdício brasileiro foram detalhados pelo DFMobilidade na reportagem Haaland castiga, Brasil perde pênalti e dá adeus à Copa diante da Noruega.
A brincadeira de Lula transformou a frustração esportiva em discurso político, mas o robô talvez seja a parte mais simples do problema. Depois da pior campanha brasileira em uma Copa desde 1990, a cobrança recai sobre a organização da CBF, as escolhas do treinador e o caro projeto para 2030 — contexto analisado pelo DFMobilidade em Ancelotti custa quase R$ 5 milhões por mês e a conta chegou com a Noruega. Quando até o presidente oferece reforço mecânico, é porque o futebol humano realmente deixou a desejar.




