Governo Lula evita audiência e deixa tarifa virar palanque

Reprodução do Instagram
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O governo Lula decidiu não enviar representante para discursar na audiência pública do USTR, em Washington, sobre a proposta de tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros. A justificativa é diplomática: o Planalto afirma que a sessão é voltada à sociedade civil e ao setor privado, enquanto o diálogo oficial com os Estados Unidos seguiria por documentos, reuniões técnicas e canais de Estado. Na prática, porém, a cadeira vazia também comunica — e nem sempre a mensagem ajuda quem exporta, emprega e espera uma defesa mais visível do Brasil.

A ausência ocorre justamente quando empresários, associações e representantes políticos ocupam o microfone diante dos americanos. A Embaixada brasileira acompanha a audiência, mas sem fazer sustentação oral. O governo prefere tratar o tema como disputa institucional, enquanto a oposição tenta apresentar a crise como resultado de erro diplomático do Planalto. O problema é que, quando Brasília escolhe falar por ofício, outro lado fala por câmera. E política, como se sabe, adora um vácuo.

Para Lula, há um cálculo evidente: transformar o tarifaço em narrativa de soberania nacional e enquadrar a pressão americana como munição eleitoral para 2026. O governo tenta vender a ideia de que o Brasil estaria sendo atacado de fora e sabotado por adversários internos. É uma rota conhecida: quando a economia aperta, o palanque procura um vilão com passaporte. O DFMobilidade já mostrou esse movimento em Lula reage a novo tarifaço dos EUA e mira Flávio Bolsonaro e também em Em carta a Rubio, Flávio pede que EUA não imponham novas tarifas ao Brasil.

O risco é o Brasil sair da audiência com menos protagonismo comercial e mais combustível eleitoral. A tarifa ainda depende da decisão final americana, mas o prejuízo político já está em disputa. Lula tenta converter pressão externa em ativo de campanha; exportadores querem previsibilidade; e Washington segue ouvindo quem apareceu para falar. No fim, o governo pode até dizer que não faltou à negociação. Mas, diante do setor produtivo, faltou à cena.

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