A pré-candidatura de Izalci Lucas ao Palácio do Buriti levou um banho de realidade vindo de cima. Em entrevista à CBN, Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, indicou que o senador deve disputar uma vaga ao Senado — e não o Governo do Distrito Federal — caso Michelle Bolsonaro desista de entrar na corrida. A definição, segundo o dirigente, terá de sair até a convenção do partido, marcada para 25 de julho.
Na prática, Valdemar colocou ordem no tabuleiro e deixou claro que a rota do PL no DF passa por Celina Leão. O mesmo dirigente já havia afirmado que o partido apoiaria a candidatura da governadora ao Buriti, com a frase que virou senha política no campo conservador: “Vamos com a Celina e tenho certeza de que ela vai ser eleita”. Para Izalci, que vinha tentando se apresentar como alternativa ao GDF e criticando a gestão local, o recado foi menos convite e mais enquadramento. Flopou — com ata, microfone e carimbo partidário.
A fritura não começou agora. Em abril, Michelle Bolsonaro já havia reagido à movimentação de Izalci e reforçado apoio a Celina, enquanto Valdemar sustentava que a ex-primeira-dama tinha peso decisivo na condução política de Brasília. O DFMobilidade também já mostrou que a indecisão de Michelle sobre o Senado mexe diretamente com a engenharia eleitoral do DF, porque ela não é apenas um nome na urna, mas um ativo político do eleitorado feminino, evangélico e bolsonarista.
O cenário, agora, é mais simples do que gostariam os que apostavam na confusão: Celina segue como eixo do projeto majoritário, Michelle ainda segura a chave do Senado e Izalci aparece empurrado para uma disputa que não era a vitrine que ele desejava. Como o DFMobilidade já registrou em matéria sobre o apoio de Celina a Michelle e Bia Kicis ao Senado, a governadora tenta organizar a direita antes que a vaidade transforme aliança em acidente eleitoral. Em política, quem não senta à mesa costuma virar assunto do cardápio.




