A tarifa dos ônibus do Entorno voltou a subir neste domingo (28/6) e, como quase sempre acontece quando Brasília discute transporte metropolitano, a fatura não chegou à mesa de reunião: caiu direto no bolso de quem acorda cedo, enfrenta fila, lotação e ônibus sem conforto para trabalhar no Distrito Federal. A ANTT autorizou a nova tabela da Taguatur com reajustes em seis linhas e redução em outras duas, mas a planilha técnica que fala em “reequilíbrio” não pega ônibus às 5h20 da manhã — talvez por isso pareça tão confortável no papel.
Na prática, o aumento chega onde o salário já termina antes do mês. Linhas como Girassol, Águas Lindas e Novo Gama tiveram acréscimos que podem parecer pequenos para quem decide de gabinete, mas pesam para quem paga ida, volta e ainda precisa negociar emprego com patrão que olha o vale-transporte como se fosse luxo. O drama relatado por passageiros é conhecido: ônibus cheios, espera longa, veículos quebrando, viagens desconfortáveis e uma sensação amarga de que o usuário paga mais por um serviço que continua devendo muito.
O problema é antigo e já passou da hora de sair da fase do discurso bonito. O DFMOBILIDADE mostrou, em fevereiro de 2025, que a ANTT chegou a suspender reajuste após pressão dos governos do DF e de Goiás, justamente para dar tempo à construção de uma solução integrada. Também registrou que Celina Leão defendeu aporte público e divisão de responsabilidades para tentar aliviar a tarifa, como na matéria Celina Leão confirma R$ 80 milhões para transporte do Entorno e reforça subsídio público.
Enquanto o consórcio interfederativo não se transforma em resposta concreta, o trabalhador segue como patrocinador involuntário da ineficiência. A ANTT pode até explicar o reajuste com contrato, IPCA, diesel e equilíbrio econômico-financeiro — tudo muito técnico, tudo muito redondo, tudo muito distante do terminal lotado. O que falta é o básico: tarifa suportável, ônibus decente e uma gestão que trate o passageiro do Entorno como cidadão, não como linha de custo em planilha federal.




