Os Estados Unidos ampliaram nesta quinta-feira, 4 de junho de 2026, a pressão contra o regime cubano ao incluir o presidente Miguel Díaz-Canel Bermúdez, sua esposa, Lis Cuesta Peraza, integrantes ligados à família Castro e órgãos estratégicos de Havana na lista de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro americano, a OFAC.
A medida atinge diretamente o núcleo político e familiar do poder cubano. Além de Díaz-Canel e Lis Cuesta, foram incluídos Manuel Anido Cuesta, Raul Alejandro Castro Calis e Alejandro Castro Espín, conhecido como “El Tuerto”. A lista também alcança entidades como o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, os Comitês de Defesa da Revolução, o Instituto Cubano de Amizade com os Povos, a Amistur Cuba SA e a Minera La Victoria SA.
Na prática, a entrada na lista SDN bloqueia bens sob jurisdição americana e restringe transações com pessoas e empresas dos Estados Unidos. O efeito político, porém, vai além do sistema financeiro: Washington envia um recado direto à elite de Havana, atingindo não apenas o comando formal do governo, mas também estruturas familiares, militares e de influência externa do regime.
A ofensiva ocorre em meio a uma escalada recente da política americana contra Cuba. No mês passado, os Estados Unidos já haviam sancionado autoridades cubanas e avançado contra Raúl Castro em processo relacionado ao episódio de 1996, quando aviões operados pelo grupo Irmãos ao Resgate foram abatidos por caças cubanos. O DFMobilidade já havia tratado desse contexto na matéria EUA oferecem ajuda a Cuba enquanto ex-ditador pode responder por mortes de 1996.
O novo pacote reforça a estratégia do governo Donald Trump de isolar o regime cubano em várias frentes: sanções financeiras, pressão diplomática, responsabilização jurídica e exposição pública da cúpula comunista. O secretário de Estado Marco Rubio, segundo comunicado oficial citado pela imprensa internacional, tem defendido que as medidas buscam limitar a capacidade do regime de reprimir a população cubana.
A reação de Havana seguiu o roteiro conhecido. O chanceler cubano Bruno Rodríguez classificou as sanções como uma ação intervencionista dos Estados Unidos. Para o regime, Washington tenta criar um ambiente de confronto. Para os americanos, no entanto, a medida mira estruturas usadas há décadas para sustentar o controle político, militar e ideológico sobre a ilha.
A decisão também dialoga com outro ponto sensível para o Brasil: a antiga relação entre governos petistas, organismos internacionais e programas envolvendo profissionais cubanos. O DFMobilidade já mostrou esse histórico na matéria EUA sancionam ex-funcionários do governo Dilma e da OPAS, sobre punições americanas relacionadas ao programa Mais Médicos e denúncias de trabalho forçado envolvendo Cuba.
A inclusão de Díaz-Canel e de nomes ligados ao clã Castro marca uma nova etapa da pressão americana. Não se trata apenas de punir burocratas isolados, mas de atingir o coração simbólico e operacional do regime. Em Washington, Cuba volta a ser tratada como peça central da disputa geopolítica no hemisfério. Em Havana, a velha engrenagem tenta resistir como sempre: culpando o embargo, denunciando o imperialismo e fingindo que o povo cubano não percebe a conta chegando.
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