Desespero Conectado: PT tenta ‘fabricar’ engajamento e corre atrás do prejuízo digital a 5 meses da eleição
O Partido dos Trabalhadores finalmente parece ter percebido que o calendário não marca mais 2010. A cinco meses das eleições presidenciais, a cúpula do governo Lula admite o que o Brasil inteiro já sabia: a esquerda tomou uma lavada histórica da direita na comunicação e na mobilização via redes sociais. Agora, em uma tentativa tardia de correr atrás do prejuízo algorítmico, o PT aposta em cursinhos e “influenciadores” para tentar criar um exército digital de proveta.
Desde o susto nas Jornadas de Junho de 2013, quando o Planalto assistiu pela televisão à população organizando protestos orgânicos pela internet, a sigla estagnou na era dos panfletos e da televisão. Enquanto nomes da oposição dominavam grupos de WhatsApp e Facebook, o partido da estrela vermelha se limitava a agir na defensiva. A nova e “genial” estratégia, encabeçada pelo secretário de Comunicação do partido, Éden Valadares, é finalmente tentar ensinar aos seus quadros que a internet funciona à base de entretenimento, e não apenas de longos discursos sindicais.
Para tentar fabricar o engajamento que a direita consegue organicamente, a máquina petista lançou programas como o “Petech” — uma espécie de alfabetização digital para a militância — e a iniciativa “Pode Espalhar”, uma linha de montagem de correntes de WhatsApp com verniz institucional. Até mesmo um chamamento batizado de “Porta-vozes do Lula” foi criado, implorando para que eleitores não filiados liguem suas câmeras e defendam o governo de graça na web. A ordem é clara: se o povo não defende o presidente nas redes por impulso natural, que se faça isso a partir de um manual de instruções.
O combustível temporário para a militância treinada em laboratório é a mais recente pesquisa Datafolha, que mostra Lula com 40% contra 31% do senador Flávio Bolsonaro, embalada pelo oportuno vazamento de escândalos financeiros da oposição. A orientação no Planalto é usar esse momento para que a base metralhe links e reportagens contra o adversário nas redes. Resta saber se a militância analógica do governo federal, agora armada com dicas de engajamento, conseguirá replicar o impacto de um fenômeno que a oposição já domina de olhos fechados há mais de uma década.
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