A Qatar Airways decidiu não pagar os bônus anuais a quase 60 mil funcionários neste ano, em decorrência das perdas financeiras massivas provocadas pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Segundo um comunicado interno da companhia, a medida visa priorizar a estabilidade financeira de longo prazo diante da contínua instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que forçou o cancelamento de dezenas de milhares de voos e gerou um rombo bilionário em sua receita.
A empresa ainda luta para recuperar sua malha aérea após ter suspendido todas as operações no final de fevereiro, quando o espaço aéreo de pelo menos oito países foi fechado.
Até meados de abril, a Qatar Airways operava com apenas 60% de sua capacidade pré-guerra, registrando uma recuperação mais lenta que as concorrentes diretas Emirates e Etihad.
Embora a meta da companhia seja retomar rotas para mais de 150 destinos até o meio de junho, a perspectiva permanece instável, especialmente com o Estreito de Ormuz ainda efetivamente bloqueado e milhares de navios retidos no Golfo Pérsico.
O bloqueio marítimo desencadeou também uma grave escassez global de combustível de aviação, agravando drasticamente os custos do setor.
Com a interrupção no fluxo de uma rota responsável por 20% do abastecimento mundial de petróleo, os preços do querosene de aviação chegaram a saltar mais de 120% desde o início das hostilidades.
Diante desse cenário de custos operacionais extremos e retomada incerta, a diretoria da Qatar Airways informou aos colaboradores que a suspensão das bonificações representa um compromisso essencial para garantir a sobrevivência do grupo durante a crise.




