Irã negocia com Omã criação de pedágio permanente no Estreito de Ormuz

Foto: Reprodução do X
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O Irã está em negociações ativas com Omã para transformar a cobrança de tarifas no Estreito de Ormuz, iniciada como uma medida temporária após o conflito com Estados Unidos e Israel, em um sistema de pedágio permanente para o tráfego marítimo.

O embaixador iraniano na França, Mohammad Amin-Nejad, confirmou a intenção de Teerã, defendendo que ambos os países devem mobilizar recursos para gerenciar a navegação e prestar serviços de segurança na região.

A movimentação diplomática ocorre em paralelo a medidas institucionais severas, com o Irã estabelecendo a recém-criada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico e delimitando uma zona marítima controlada que abrange desde a costa iraniana até pontos nos Emirados Árabes Unidos.

Para transitar pela área, as embarcações agora são obrigadas a obter autorização prévia, fornecendo detalhes sobre propriedade, seguro, carga e tripulação.

As novas exigências impostas pela autoridade iraniana já afetam a logística global, proibindo totalmente navios com vínculos israelenses e aplicando pesadas restrições a embarcações com afiliação norte-americana.

Relatos indicam que empresas já chegaram a pagar cerca de US$ 2 milhões por trânsito, com as taxas sendo aceitas em Bitcoin ou yuan chinês.

Estima-se que, se consolidado, o sistema de tarifas poderia gerar uma receita anual entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões para os cofres iranianos.

A tentativa de taxar unilateralmente uma das rotas comerciais mais vitais do mundo, no entanto, gerou forte resistência.

Um projeto de resolução no Conselho de Segurança da ONU, apoiado por 137 nações, exige o fim da cobrança e a proteção das rotas de navegação, além de cobrar que o Irã revele a localização das minas marítimas instaladas.

Uma tentativa anterior de resolução foi vetada por Rússia e China em abril.

Apesar de participar das negociações, o próprio governo de Omã enviou sinais públicos de oposição à medida iraniana, classificando o pedágio como incompatível com o direito internacional.

O país vizinho ressaltou que, diferentemente do Canal de Suez, o Estreito de Ormuz é uma passagem internacional natural, e a Convenção da ONU sobre o Direito do Mar proíbe a cobrança de tarifas nesse tipo de rota.

As negociações entre Washington e Teerã seguem paralisadas devido a divergências sobre o programa nuclear iraniano, ativos congelados e o controle do estreito.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alertou que a formalização desse pedágio representa um dos maiores desafios do atual cenário pós-conflito.

Nesta semana, o presidente Donald Trump revelou que preparativos para novas ações militares americanas estavam em andamento, mas afirmou ter suspendido os ataques a pedido dos Estados do Conselho de Cooperação do Golfo.

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