O número de passageiros do Metrô-DF caiu entre 2024 e 2025, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos). O sistema passou de cerca de 42,5 milhões de usuários em 2024 para aproximadamente 41,6 milhões em 2025, uma redução estimada em 900 mil passageiros no ano.
A queda representa recuo de 2,2% e ocorre em um momento em que o transporte sobre trilhos volta ao centro do debate nacional sobre mobilidade urbana. No balanço setorial de 2025, a ANPTrilhos aponta que os sistemas metroferroviários brasileiros transportaram 2,59 bilhões de passageiros, com média de 8,7 milhões por dia útil, atendendo cerca de 49,8 milhões de pessoas em 73 municípios.
O dado local impõe um desafio direto ao Distrito Federal: recuperar a atratividade do metrô em uma cidade que ainda depende fortemente do transporte rodoviário. Em outras palavras, o trem precisa voltar a ser opção competitiva, e não apenas alternativa para quem já não tem escolha.
A própria ANPTrilhos sustenta que o país vive um ciclo de expansão, mas ainda em ritmo insuficiente diante da necessidade das grandes cidades. O balanço informa que há 138,7 km de obras em andamento e 123 novas estações e paradas previstas em nove regiões metropolitanas, com entregas entre 2026 e 2028.
No Distrito Federal, a principal obra em execução é a expansão da Linha 1 do Metrô-DF em Samambaia. O projeto prevê duas novas estações, identificadas como 35 e 36, e a ampliação do atendimento à população da região. O Ministério das Cidades informou que a expansão foi viabilizada com recursos do Novo PAC, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com participação do Governo do Distrito Federal na execução.
Além da ampliação em Samambaia, o DF mantém no radar o projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da Avenida W3. A Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob-DF) informa que os estudos apresentados em audiência pública, incluindo modelagem técnica, econômico-financeira e jurídica, estão em fase de análise e ajustes junto aos órgãos de controle para futura licitação de parceria público-privada.
O cenário mostra uma contradição: enquanto o país discute novos investimentos em trilhos, o Metrô-DF perdeu usuários no ano passado. A resposta passa por expansão da rede, modernização da frota, melhoria da frequência, integração tarifária eficiente e maior previsibilidade para o passageiro.
O transporte sobre trilhos tem papel estratégico na redução de congestionamentos, emissões e acidentes. Segundo a ANPTrilhos, o setor gerou R$ 44,6 bilhões em benefícios econômicos e sociais em 2025, incluindo economia de tempo, combustíveis e redução de poluentes.
Para Brasília, o recado é simples: sem investimento contínuo, o metrô perde espaço; com expansão bem executada, pode voltar a ganhar passageiros e aliviar a pressão sobre ônibus e carros. Mobilidade urbana não se resolve no improviso — trilho bom exige planejamento, dinheiro e entrega. O resto é estação cheia de promessa.
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