O Distrito Federal pode dar um passo importante para organizar o trânsito de motocicletas e reduzir riscos nas vias. A chamada Faixa Azul, espaço preferencial para motos entre as faixas de rolamento, já tem projeto-piloto pronto e aguarda autorização da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) para sair do papel.
A proposta foi debatida na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), em reunião técnica da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana. Segundo a CLDF, a experiência deve começar pelo Eixo Monumental e, depois, poderá ser ampliada para outras vias do DF. A ideia é simples: tirar a disputa improvisada do “corredor” e transformar a circulação das motos em algo mais previsível, sinalizado e fiscalizável. No trânsito, improviso costuma sair caro — e, às vezes, trágico.
A Faixa Azul tem largura total de 1,20 metro, sendo 1,10 metro de área útil. O modelo busca aumentar o campo de visão entre motoristas e motociclistas, além de reduzir conflitos em áreas de grande circulação. De acordo com a CLDF, o projeto no DF foi elaborado por comissão técnica com participação do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF) e Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob-DF).
A preocupação tem base concreta. Dados apresentados na reunião indicam que, entre janeiro e abril de 2025, 27 motociclistas morreram em sinistros de trânsito no DF. O presidente da comissão, deputado Max Maciel (Psol), defendeu que a implantação ocorra de forma estudada, com projeto-piloto, avaliação de resultados e ajustes antes de uma eventual expansão.
A experiência de São Paulo serve como referência. Técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET-SP) apresentaram resultados da capital paulista, onde a Faixa Azul vem sendo testada há alguns anos. Segundo a CLDF, representantes da CET-SP relataram redução de 20% nos sinistros com vítimas graves e mortes nos trechos com a sinalização. O Ministério dos Transportes também informou, em 2023, que o projeto experimental autorizado pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) havia registrado zero mortes desde a implantação inicial na Avenida 23 de Maio.
A proposta de implantação de faixas específicas para motos no DF tem relação com projeto apresentado pelo deputado Fábio Felix (Psol), aprovado em comissão em 2023. O texto previa diretrizes para veículos de duas rodas, como motos, motocicletas, motonetas e ciclomotores, com prioridade para locais de maior registro de acidentes.
Apesar do avanço técnico, a implantação ainda depende do sinal verde federal. A Faixa Azul segue tratada como experiência de sinalização, sujeita à autorização da Senatran. Em São Paulo, inclusive, a expansão do modelo ficou parada à espera de novas autorizações e análise de relatórios pelo Ministério dos Transportes, o que mostra que a burocracia também pega trânsito — e sem capacete.
Se autorizada, a medida poderá representar uma mudança relevante na mobilidade urbana do DF. Para funcionar, no entanto, precisará de fiscalização, educação no trânsito, controle de velocidade e acompanhamento técnico permanente. Faixa pintada no asfalto ajuda, mas não faz milagre sozinha.
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