PGR mira bilheteria de Dark Horse após elo com Vorcaro
A Procuradoria-Geral da República (PGR) analisa um pedido para bloquear a bilheteria do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro que entrou no centro de uma nova crise política após revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Segundo o blog de Lauro Jardim, em O Globo, o pedido busca atingir eventuais receitas futuras do longa, sob o argumento de que a obra teria sido bancada, ao menos em parte, por recursos vinculados a Vorcaro. O caso agora avança para uma frente sensível: além da disputa política, entra em cena o dinheiro que poderá ser arrecadado nos cinemas.
A controvérsia ganhou força depois de reportagens indicarem que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria buscado apoio financeiro de Vorcaro para viabilizar o filme. A Reuters informou que Flávio confirmou a existência de um contrato com o banqueiro para apoiar a produção, mas negou qualquer relação do acordo com as investigações sobre o Banco Master.
De acordo com a Reuters, documentos e mensagens citados pelo Intercept Brasil apontam uma promessa de aporte de US$ 24 milhões, com parte do valor já paga. A mesma reportagem registrou que a produtora GOUP Entertainment negou ter recebido dinheiro de Vorcaro ou de empresas ligadas a ele.
O episódio também provocou reação no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino abriu uma apuração separada para analisar emendas parlamentares destinadas à produtora responsável por Dark Horse, após pedido apresentado pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).
A dimensão financeira do caso chama atenção. A Folha de S.Paulo estimou que, para recuperar o valor atribuído ao investimento de Vorcaro, o filme precisaria alcançar uma bilheteria na casa de centenas de milhões de reais, desempenho raríssimo no cinema nacional. Em outras palavras: a conta parece mais cinematográfica do que contábil.
Dark Horse tem lançamento previsto para setembro, às vésperas da eleição presidencial de outubro. A proximidade do calendário eleitoral aumenta o peso político do caso e transforma a produção em mais um capítulo da disputa entre cinema, campanha, financiamento privado e investigação pública.
Agora, caberá à PGR avaliar se há elementos jurídicos para pedir o bloqueio da bilheteria. Até lá, o filme que nasceu para contar uma narrativa política acabou virando personagem de outra: a dos bastidores financeiros que cercam Brasília.
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