A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) encerrou, na sexta-feira, 15 de maio de 2026, a programação do 3º seminário “Mãe, deixa eu cuidar de você” com uma sessão solene dedicada à inclusão de pessoas com deficiência. O evento reuniu familiares, profissionais, instituições públicas e privadas, além de representantes da sociedade civil que atuam nas áreas de educação, saúde e assistência social.
O ponto mais simbólico da solenidade foi a entrega da primeira moção de louvor em braille em 35 anos de história da CLDF. A homenagem foi concedida ao pedagogo Fernando Rodrigues, professor do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV), da Secretaria de Educação do DF. Cego desde a infância em razão de um descolamento de retina, ele recebeu o reconhecimento em formato acessível.
A iniciativa foi conduzida pelo deputado distrital Eduardo Pedrosa (União Brasil), que destacou a importância do engajamento de famílias, profissionais e instituições na construção de políticas públicas mais inclusivas. Segundo o parlamentar, a causa exige participação permanente de quem atua nas escolas, nas subsecretarias, nas entidades sociais e nos espaços de cuidado.
Durante a solenidade, também foram lembradas conquistas recentes voltadas às pessoas com deficiência, como o Centro de Referência Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Cretea), instalado na estação de metrô da 108 Sul, e a liberação da construção do Hospital de Doenças Raras. As medidas foram citadas como resultado da mobilização conjunta entre poder público e sociedade civil.
Entre os momentos mais fortes do evento, Dulcilene Rodrigues, mãe solo de dois meninos com autismo, falou em nome das chamadas mães atípicas. Ela cobrou empatia, visibilidade e dignidade para mulheres que enfrentam, diariamente, a dupla jornada entre o cuidado integral dos filhos e a luta por renda, direitos e reconhecimento.
A subdefensora pública-geral Nathália Sant’ana Rosa reforçou que a defesa da maternidade atípica e da inclusão é urgente. Representantes da Secretaria de Educação do DF, da Faculdade Uninassau Brasília e do setor automobilístico também foram homenageados por ações voltadas à acessibilidade, atendimento e mobilidade de pessoas com deficiência.
Mais do que uma cerimônia protocolar, a sessão solene marcou um avanço institucional. Ao entregar uma moção em braille, a CLDF não apenas homenageou a luta pela inclusão, mas também reconheceu que acessibilidade não pode ser discurso de ocasião. Precisa estar no documento, no serviço, no atendimento e, principalmente, na prática.
A primeira moção em braille da história da Casa deixa uma mensagem objetiva: inclusão só é completa quando a pessoa homenageada também consegue ler, tocar e reconhecer, com autonomia, o próprio reconhecimento. Parece óbvio, mas o óbvio, às vezes, leva 35 anos para virar gesto oficial.
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