EUA veem ameaça de drones em Cuba e aumentam pressão sobre Havana

Reprodução da Força Áerea EUA
Reprodução da Força Áerea EUA

Relatórios de inteligência dos Estados Unidos indicam que Cuba teria adquirido mais de 300 drones militares desde 2023, com origem atribuída a fornecedores ligados à Rússia e ao Irã. Segundo reportagem da Axios, autoridades americanas avaliam que militares cubanos passaram a discutir possíveis ataques contra a base naval dos EUA na Baía de Guantánamo, navios militares americanos e até Key West, na Flórida. A Reuters reproduziu a informação, mas destacou que não conseguiu verificar de forma independente o conteúdo do relatório.

O caso elevou o tom da tensão entre Washington e Havana. Embora as fontes citadas pela imprensa americana afirmem que não há indicação de ataque iminente, o alerta ocorre em um momento de deterioração acelerada das relações bilaterais. Para autoridades dos EUA, a presença de assessores militares iranianos em Cuba e a suposta ampliação da capacidade cubana com drones mudam o cálculo de segurança no Caribe.

A movimentação também ocorre poucos dias depois de o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe, ter feito uma visita rara a Cuba para encontros com autoridades de inteligência e com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente Raúl Castro. Segundo a Axios, a mensagem americana foi direta: cooperação seria possível apenas se o regime cubano aceitasse mudanças consideradas fundamentais por Washington.

No campo jurídico, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos avalia acusar formalmente Raúl Castro pelo episódio de 1996, quando dois aviões do grupo Brothers to the Rescue foram derrubados por caças cubanos. O caso resultou na morte de quatro pessoas e permanece como uma das feridas diplomáticas mais sensíveis entre os dois países. A Reuters relembrou que os EUA e a Organização da Aviação Civil Internacional concluíram que as aeronaves estavam sobre águas internacionais; Cuba, por sua vez, sempre sustentou versão distinta sobre o episódio.

A pressão econômica também avançou. Em 1º de maio de 2026, o governo americano editou a Ordem Executiva 14404, voltada a sanções contra responsáveis por repressão em Cuba e por ameaças à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos. O Departamento do Tesouro publicou orientações relacionadas à medida em 7 de maio, por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC).

Na prática, Washington parece montar um cerco político, jurídico e diplomático contra Havana. A denúncia sobre drones, se confirmada, adiciona um componente militar delicado a uma relação historicamente explosiva. Cuba fica a cerca de 90 milhas da Flórida, distância suficiente para transformar qualquer ruído estratégico em tempestade geopolítica — e, no Caribe, tempestade nunca foi apenas previsão do tempo.

O ponto central é que ainda faltam provas públicas sobre os supostos planos de ataque. A informação vem de inteligência classificada e de autoridades não identificadas, o que exige cautela jornalística. Ainda assim, o alerta americano já produz efeito político: recoloca Cuba no centro da agenda de segurança dos EUA, amplia o discurso de pressão sobre o regime cubano e abre espaço para novas sanções ou medidas mais duras nos próximos dias.

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