Trump endurece discurso contra o Irã e mira Obama em meio a nova tensão nuclear

Reprodução do X
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Donald Trump elevou o tom contra o Irã neste domingo, 10 de maio de 2026, ao acusar Teerã de “jogar” com os Estados Unidos há 47 anos e de ter sido beneficiado por governos democratas, especialmente o de Barack Obama. A declaração foi feita em publicação na rede social do presidente norte-americano e ocorre em meio a uma nova rodada de tensão diplomática e militar envolvendo o programa nuclear iraniano.

No texto, Trump afirmou que o Irã adotou uma estratégia permanente de adiamento nas negociações com Washington. A expressão usada por ele, “delay, delay, delay”, resume a crítica central: para o republicano, Teerã teria ganhado tempo durante décadas enquanto ampliava sua influência regional e preservava capacidade de pressão sobre os Estados Unidos e seus aliados.

O presidente também voltou a atacar o acordo nuclear firmado durante a gestão Obama. Em 2015, Estados Unidos, Irã, China, Rússia, França, Reino Unido, Alemanha e União Europeia fecharam o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), que previa limites ao programa nuclear iraniano em troca de alívio de sanções. O Departamento de Estado dos EUA apresentou o acordo à época como uma tentativa de assegurar que o programa nuclear do Irã tivesse finalidade exclusivamente pacífica.

Trump, porém, sempre tratou o pacto como uma concessão perigosa. Em sua publicação, ele citou a liberação de “centenas de bilhões de dólares” e o envio de US$ 1,7 bilhão ao Irã. O valor de US$ 1,7 bilhão correspondeu a um acordo de liquidação anunciado em 2016, relacionado a uma disputa antiga no Tribunal de Haia: US$ 400 milhões de fundos iranianos congelados desde 1981, acrescidos de cerca de US$ 1,3 bilhão em juros.

A forma como esse pagamento foi feito sempre alimentou disputa política nos Estados Unidos. Críticos republicanos classificaram a operação como uma espécie de prêmio a Teerã. Já o governo Obama sustentou que se tratava de uma negociação separada, vinculada a uma reclamação financeira anterior à Revolução Islâmica de 1979. A polêmica, como se vê, envelheceu como vinho ruim em mesa de campanha: volta sempre que o Irã reaparece no centro da crise.

A nova ofensiva retórica de Trump surge no momento em que o Irã respondeu a uma proposta dos Estados Unidos para tentar conter a escalada regional. Segundo a Reuters, a resposta iraniana foi enviada por meio do Paquistão, que atua como mediador. As tratativas envolvem uma tentativa de interromper hostilidades e manter discussões sobre temas mais amplos, incluindo o programa nuclear iraniano e a segurança no Estreito de Ormuz.

A Associated Press informou que Trump rejeitou rapidamente a resposta iraniana, classificando-a como “totalmente inaceitável”, enquanto reiterava a possibilidade de novas ações militares. O cenário inclui pressão sobre instalações nucleares, tensão no Golfo e preocupação internacional com a estabilidade energética e comercial da região.

Em entrevista divulgada neste domingo, Trump também afirmou que os Estados Unidos não permitirão que o Irã acesse material nuclear enriquecido remanescente e disse que instalações iranianas estão sob vigilância. A declaração reforça a estratégia da Casa Branca de combinar pressão militar, ameaça econômica e discurso político duro para tentar forçar Teerã a aceitar novas condições.

A publicação de Trump, portanto, não é apenas um ataque retrospectivo a Obama e Biden. É também um recado direto ao regime iraniano e aos aliados dos Estados Unidos: a atual Casa Branca quer se diferenciar dos governos democratas e apresentar a política externa republicana como uma ruptura com a diplomacia de concessões.

O problema é que, no tabuleiro do Oriente Médio, bravatas raramente viajam sozinhas. Elas costumam levar junto petróleo, rotas marítimas, alianças militares e riscos globais. E, desta vez, Trump parece disposto a transformar a memória do acordo nuclear com Obama em munição política para justificar uma postura muito mais dura contra Teerã.

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