As contas do Governo Central fecharam março de 2026 com déficit primário de R$ 73,8 bilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026. O resultado contrasta com o superávit de R$ 1,5 bilhão registrado no mesmo mês de 2025 e reforça a pressão sobre a política fiscal do governo Lula.
O déficit primário mede a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida pública. Ou seja: mesmo sem contar os juros, o governo gastou mais do que arrecadou no mês. A conta não é pequena — e, como costuma acontecer em Brasília, a fatura sempre encontra o contribuinte no caminho.
De acordo com o Tesouro Nacional, o resultado de março foi formado por déficit de R$ 24,6 bilhões no conjunto Tesouro Nacional e Banco Central e por déficit de R$ 49,2 bilhões na Previdência Social. No mesmo período, a receita líquida cresceu 7,5% em termos reais, mas as despesas totais avançaram 49,2%, uma disparada muito superior à melhora da arrecadação.
A receita total chegou a R$ 235 bilhões em março. Após as transferências obrigatórias a estados e municípios, a receita líquida ficou em R$ 196,1 bilhões. O problema esteve do outro lado da planilha: a despesa total alcançou R$ 269,9 bilhões, abrindo o rombo de R$ 73,8 bilhões no mês.
O principal fator apontado pelo Tesouro para o salto das despesas foi o cronograma de pagamento de precatórios. Em 2026, esses pagamentos ficaram concentrados em março, enquanto em 2025 ocorreram majoritariamente em julho. O impacto atingiu sentenças judiciais e precatórios, benefícios previdenciários, pessoal e encargos sociais.
No acumulado de janeiro a março, o Governo Central registrou déficit primário de R$ 17,1 bilhões. No mesmo período de 2025, havia superávit de R$ 55 bilhões. A piora ocorreu apesar do crescimento real de 4,2% da receita líquida no trimestre. As despesas, porém, cresceram 18,3%, com alta real de R$ 100,1 bilhões.
A arrecadação foi impulsionada por receitas administradas pela Receita Federal, com destaque para IOF, Imposto de Importação, Imposto de Renda, CSLL e Cofins. Ainda assim, o avanço da receita não foi suficiente para compensar o ritmo das despesas obrigatórias e discricionárias.
O relatório também mostra que o déficit primário acumulado em 12 meses até março chegou a R$ 136,5 bilhões, equivalente a 1,03% do PIB. O dado amplia o sinal de alerta sobre a sustentabilidade das contas públicas e sobre a capacidade do governo federal de cumprir as metas fiscais sem recorrer a abatimentos, exceções e manobras contábeis.
Na prática, março expôs o dilema fiscal do governo Lula: a arrecadação cresce, mas a despesa corre mais rápido. É como tentar encher uma caixa d’água com a torneira aberta e o ralo arrombado. O contribuinte paga mais, mas o equilíbrio fiscal continua distante.
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