Sob investigação, relator da sabatina amplia tensão em torno de Jorge Messias. Weverton Rocha (PDT-MA) é investigado por supostamente ser ‘sustentáculo político’ no escândalo do INSS; senador nega envolvimento.
A indicação do ministro Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal evidencia a crise ética que atravessa a relação entre os Poderes no Brasil. O ponto mais sensível não está apenas na análise do mérito do indicado, mas na figura do senador Weverton Rocha, relator do processo na Comissão de Constituição e Justiça, cuja atuação se dá sob a sombra de uma investigação da Polícia Federal no escândalo envolvendo o INSS.
Segundo a Polícia Federal, Weverton teria atuado como “sustentáculo” político do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A corporação também apontou o parlamentar como um suposto “sócio oculto” em um esquema de descontos irregulares aplicados a aposentados e pensionistas, tendo inclusive solicitado sua prisão — pedido posteriormente negado. À época, a Procuradoria-Geral da República avaliou que os elementos apresentados eram insuficientes para sustentar a medida.
Mensagens interceptadas sugerem que o gabinete do senador funcionava como ponte para interesses do esquema. O “Careca” era presença frequente em Brasília, inclusive foi ao “costelão” — churrasco promovido pelo senador em sua residência.
A situação agravou-se com a prisão de Adroaldo da Cunha Portal em 18 de dezembro de 2025, na Operação Sem Desconto. Ele é ex-secretário-executivo da Previdência e antigo assessor de Weverton. Gustavo Marques Gaspar, outro ex-assessor do senador, também foi preso. Eles são acusados de receber propina para facilitar o esquema e negam as acusações, assim como o Weverton.
Mesmo sem fazer pré-julgamento, a coexistência do papel de relator com o status de investigado estabelece um conflito de interesses que desafia a liturgia republicana. Ao apresentar parecer favorável à aprovação de Messias, Weverton Rocha valida o currículo de quem, se aprovado, comporá a Corte responsável por seu eventual julgamento. E, nesse cenário, a imparcialidade cede lugar à conveniência.
A sabatina de Messias está marcada para esta quarta-feira, 29, mais de quatro meses depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicar seu nome.
Nesse período, a imagem do próprio Supremo foi corroída. A mais alta Corte do País vive sua maior crise reputacional e de credibilidade. O que deveria exigir uma preocupação a mais na escolha de seus novos integrantes.
Mas a chegada de um novo membro pelas mãos de um relator investigado aprofunda o desgaste da Corte na busca por legitimidade.
O pragmatismo da base governista, que se apega à presunção de inocência para manter o arranjo com a escolha de Weverton, ignora o simbolismo de ver um investigado conduzindo a entrada de seu potencial juiz no tribunal.
Isso tudo reforça a conclusão de que o rigor ético tornou-se secundário à necessidade de blindagens mútuas e autoproteção que comprometem a confiança nas instituições.










