O embate entre o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, ganhou novos contornos após troca pública de críticas que elevou a temperatura do debate político nacional.
A tensão começou quando Gilmar Mendes classificou como “irônicas” as declarações de Zema contra o STF, lembrando que, durante sua gestão, o governo mineiro recorreu diversas vezes à Corte para obter decisões que aliviaram a situação fiscal do estado, incluindo a suspensão de pagamentos da dívida com a União.
Em resposta, Zema adotou tom contundente e rejeitou qualquer tentativa de intimidação. O ex-governador afirmou que não se submeterá ao que chamou de práticas da “velha política” e insinuou que decisões favoráveis do STF estariam sendo interpretadas como moeda de troca por parte do ministro.
O político mineiro também questionou a motivação de decisões da Corte, sugerindo que haveria interesses por trás de julgamentos, o que intensificou ainda mais o confronto institucional. A reação foi sintetizada na expressão “serviu a carapuça”, usada por aliados para indicar que as críticas de Mendes teriam atingido diretamente o ex-governador — leitura que Zema reverteu ao sustentar que não aceita vínculos de dependência com o tribunal.
O episódio ocorre em meio à pré-campanha presidencial de 2026, na qual Zema tem adotado um discurso mais duro contra o STF, defendendo mudanças estruturais no Judiciário e ampliando críticas ao que chama de excesso de poder da Corte.
Do outro lado, Gilmar Mendes reforça a tese de contradição no posicionamento do ex-governador, afirmando que o tribunal não pode ser visto como “vilão” quando suas decisões desagradam, após ter sido amplamente acionado para garantir estabilidade financeira ao estado de Minas Gerais.
A troca de acusações evidencia não apenas um embate pessoal, mas também um movimento mais amplo de politização do Judiciário no debate eleitoral, com reflexos diretos no cenário institucional brasileiro às vésperas de mais uma disputa presidencial.




