As principais companhias aéreas da Ásia estão absorvendo uma onda crescente de passageiros em rotas para a Europa.
A mudança brusca de comportamento ocorre porque os viajantes e os governos estão evitando fazer conexões nos tradicionais hubs do Oriente Médio devido à guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã.
Especialistas do setor de aviação apontam que essa reconfiguração de rotas pode se manter mesmo após o fim do conflito, impulsionada pelo atraso nas reservas antecipadas e pela aversão ao risco.
Antes da eclosão da guerra, gigantes como Emirates, Qatar Airways e Etihad Airways dominavam o tráfego, respondendo por cerca de um terço dos passageiros entre a Europa e a Ásia. Com a escalada da tensão, mais de 52 mil voos de e para o Oriente Médio foram cancelados, afetando diretamente cerca de seis milhões de passageiros.
Embora as empresas do Golfo tenham recuperado parte das decolagens, alertas de segurança emitidos por governos, como o da Austrália, continuam desestimulando novas reservas de passagens na região.
Para suprir a demanda de quem foge da zona de conflito, empresas como Cathay Pacific, Singapore Airlines, Korean Air e Qantas precisaram remanejar suas frotas e já colhem resultados financeiros expressivos.
A Singapore Airlines registrou um salto na ocupação de suas rotas europeias, atingindo a marca de 93,5% em março.
A Korean Air reportou um aumento de 47,3% no lucro operacional do primeiro trimestre, enquanto a Qantas redirecionou estrategicamente a capacidade de rotas domésticas e norte-americanas para expandir seus voos diretos para cidades como Paris e Roma.
Apesar da alta no volume de passageiros, a consolidação dos lucros das companhias asiáticas esbarra no preço exorbitante do querosene de aviação, que mais do que dobrou desde o início dos ataques.
A Malaysia Airlines, por exemplo, relatou estar arcando com altos custos adicionais diários devido ao consumo extra, além de perder receitas milionárias com os cancelamentos forçados.
O cenário logístico global continua crítico, e a Associação Internacional de Transporte Aéreo reforçou o alerta de que a Europa pode começar a enfrentar uma nova onda de cancelamentos de voos por falta de combustível já no final de maio, caso o bloqueio no Estreito de Ormuz persista.




