A escalada global nos preços dos combustíveis, impulsionada pela guerra no Irã, começou a apresentar sua pesada conta para as gigantes do setor de transportes.
A companhia aérea australiana Qantas foi obrigada a revisar sua projeção de gastos com querosene de aviação, que mais do que dobrou e deve ultrapassar a marca de três bilhões de dólares australianos.
Para tentar estancar o prejuízo e preservar o caixa, a empresa anunciou a redução de 5% na capacidade de seus voos domésticos e o repasse imediato dessa alta para o valor das tarifas cobradas dos passageiros.
A alemã Lufthansa já elabora planos de contingência rigorosos que incluem a suspensão temporária de até quarenta aeronaves de sua frota atual.
Tal medida extrema tenta amenizar um impacto financeiro estimado em mais de um bilhão e meio de euros causado apenas pela disparada do combustível.
A crise da companhia europeia ainda esbarra em desafios internos pesados, agravada por uma recente paralisação de pilotos que afetou rotas em todo o continente.
Na contramão do sufoco aéreo, a instabilidade do mercado gerou um cenário de lucros atípicos para gigantes da energia.
A britânica BP reportou resultados excepcionais em sua divisão de negociação e vendas durante o primeiro trimestre de 2026, surfando nas margens de lucro elevadas pela guerra.
No entanto, o alto custo de operação também cobrou o seu preço: a dívida líquida da petroleira deve sofrer um salto e encostar nos 27 bilhões de dólares, pressionada pela necessidade de mais capital de giro para manter a estrutura funcionando.
O mercado de gás natural é outro setor diretamente impactado pelos ataques no Oriente Médio.
A Shell precisou reduzir oficialmente sua projeção de produção após bombardeios atingirem e danificarem as instalações da companhia no Catar, paralisando a infraestrutura de exportação local.
Embora a corporação tente equilibrar essas perdas acelerando suas operações no Canadá, a pressão econômica global segue implacável e sustentada por um aumento acumulado de mais de 60% no preço do barril de petróleo Brent apenas neste ano.




