Patinetes elétricos retornam às ruas de Belo Horizonte com regras rígidas e promessa de “ordem” na mobilidade
Belo Horizonte volta a apostar na micromobilidade — mas, desta vez, com freio puxado e manual de instruções na mão. A capital mineira iniciou nesta semana a retomada do uso de patinetes elétricos compartilhados, agora sob um conjunto mais rigoroso de regras e controle operacional.
A operação será feita por meio de aplicativo, com cadastro obrigatório e pagamento digital. Os equipamentos são georreferenciados, o que permite monitoramento em tempo real, organização da frota e definição de áreas permitidas para circulação e estacionamento.
Ao todo, cerca de 1,5 mil patinetes devem ser disponibilizados inicialmente, concentrados principalmente na região Central e na região Oeste da cidade. A responsabilidade pela implantação, manutenção e operação será da empresa credenciada, sem custos diretos para o município.
A volta do serviço ocorre após testes realizados pela prefeitura ao longo de 2025, justamente para evitar repetir o roteiro caótico de anos anteriores, marcado por acidentes, abandono de equipamentos em vias públicas e críticas à falta de controle.
Regras mais duras — e necessárias
Se antes o patinete parecia brinquedo de adulto apressado, agora virou quase um “mini veículo” com normas claras. Entre as principais exigências:
– Idade mínima de 18 anos
– Uso individual (nada de carona improvisada)
– Proibição de transportar passageiros ou animais
– Velocidade máxima de 6 km/h em calçadas e até 20 km/h em ciclovias
– Circulação permitida apenas em vias com limite de até 40 km/h
– Equipamentos obrigatórios, como campainha, iluminação e indicador de velocidade
Há ainda limite de 12 km/h para iniciantes e recomendação de uso de capacete — um detalhe que, na prática, pode separar um passeio tranquilo de uma dor de cabeça (literal).
Outro ponto relevante: as empresas deverão oferecer seguro contra acidentes, campanhas educativas e compartilhar dados de uso com a prefeitura — um movimento que indica maior vigilância sobre o serviço.
Mobilidade ou modismo reciclado?
A prefeitura aposta que os patinetes vão ajudar em deslocamentos curtos e na integração com outros modais. Mas o histórico recente ainda paira como sombra: acidentes graves e desorganização tiraram o serviço das ruas anos atrás.
Agora, a promessa é de um modelo mais “civilizado”. Resta saber se o usuário vai colaborar — porque regra no papel resolve pouco quando encontra pressa no asfalto.
No fim das contas, BH tenta equilibrar inovação e segurança. E, dessa vez, o recado é claro: diversão, sim… bagunça, não.




