Indústria ferroviária reage e expõe “jogo desigual” contra avanço chinês no Brasil

Foto:Divulgação
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A indústria ferroviária brasileira decidiu subir o tom. Em manifesto divulgado nesta semana, entidades do setor alertam para o que classificam como um avanço “assimétrico e prejudicial” de empresas chinesas no mercado nacional — um movimento que já começa a deixar rastros na economia e no emprego.

O documento, assinado pelo Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre) e pela Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), aponta que fabricantes nacionais vêm perdendo sucessivas licitações relevantes para concorrentes estrangeiros, especialmente da China.

Entre os contratos citados estão fornecimentos de trens para Belo Horizonte, composições para o Metrô de São Paulo, além de equipamentos destinados à Vale e ao projeto do Trem Intercidades (TIC).

O impacto, segundo o setor, vai além da disputa comercial. As entidades afirmam que a perda dessas concorrências já provocou redução de empregos, queda na geração de renda e prejuízos à arrecadação pública, além de enfraquecer a capacidade produtiva instalada no país.

Nos bastidores, a crítica é direta: a competição não estaria ocorrendo em condições iguais. O manifesto denuncia práticas como subsídios governamentais externos, preços considerados artificialmente baixos e até dumping — quando produtos são vendidos abaixo do custo para ganhar mercado.

Outro ponto sensível é o modelo de licitação. O setor critica o uso do chamado pregão eletrônico reverso em contratos complexos, afirmando que a ferramenta favorece propostas de menor preço sem considerar adequadamente a capacidade técnica e industrial.

A bronca também atinge o ambiente regulatório brasileiro. Segundo as entidades, há distorções tributárias e falta de isonomia que acabam favorecendo fornecedores estrangeiros, enquanto a indústria nacional enfrenta custos mais elevados para competir.

Diante desse cenário, o manifesto cobra do governo federal uma política industrial clara e estruturada para o setor ferroviário — algo que, na prática, ainda patina. Sem planejamento, dizem os representantes, o Brasil corre o risco de se tornar dependente de tecnologia importada, com impactos futuros na manutenção, operação e soberania logística.

O alerta vem acompanhado de um exemplo incômodo: a Argentina, que teria visto sua indústria ferroviária praticamente desaparecer após a entrada massiva de fornecedores chineses.

Enquanto isso, o Brasil segue ampliando projetos ferroviários e preparando novas concessões bilionárias — um mercado que, ao que tudo indica, continuará sendo alvo de forte disputa internacional.

No fim das contas, o recado da indústria é claro: sem regras equilibradas, o país pode estar trocando desenvolvimento interno por soluções mais baratas no curto prazo — uma economia hoje que pode custar caro amanhã.


 

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