O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para tratar de um tema que tem potencial de provocar forte impacto na política de segurança e nas relações diplomáticas entre os dois países: a possibilidade de Washington classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
Durante a conversa, o chanceler brasileiro tentou convencer o governo norte-americano a não incluir grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras mantida pelo Departamento de Estado.
A iniciativa faz parte de uma discussão que cresce dentro do governo dos Estados Unidos, especialmente no contexto de uma política mais dura contra cartéis e redes internacionais do narcotráfico. A classificação de grupos criminosos como organizações terroristas permitiria aos EUA aplicar sanções mais severas, congelar ativos, ampliar investigações financeiras e até justificar ações de cooperação ou pressão internacional contra essas organizações.
O governo brasileiro, porém, demonstra preocupação com as consequências dessa mudança. Segundo autoridades do Itamaraty, a equiparação de facções do narcotráfico a grupos terroristas poderia abrir precedentes para interferência externa em assuntos de segurança pública, além de gerar impactos econômicos, como receio de investidores estrangeiros e possíveis reflexos negativos no turismo.
Outro ponto levantado pelo governo brasileiro é que, tradicionalmente, o país segue a classificação adotada pelo Conselho de Segurança da ONU para reconhecer organizações terroristas, o que atualmente não inclui facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas.
A conversa entre Vieira e Rubio também abordou temas diplomáticos mais amplos, como a possível visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington. A viagem, inicialmente prevista para março, pode ser adiada em razão do aumento da tensão internacional provocado pela guerra envolvendo o Irã.
Caso os Estados Unidos avancem com a proposta, o tema poderá gerar um novo capítulo de tensão diplomática entre Brasília e Washington, especialmente porque a medida alteraria a forma como o crime organizado brasileiro é tratado no cenário internacional.




