O panorama crítico foi desenhado a partir do consolidado de dados de 2024 e utilizou como termômetro, pela primeira vez, a nova resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente, que instituiu etapas de transição para que o país tente, gradativamente, alcançar os padrões globais de pureza atmosférica.
A radiografia das estações de monitoramento revelou que o monóxido de carbono e o dióxido de nitrogênio foram as únicas substâncias que conseguiram se manter majoritariamente dentro dos limites admissíveis da tabela de transição nacional, ainda que estados como o Maranhão tenham registrado picos preocupantes.
O cenário se deteriora rapidamente ao analisar os demais compostos químicos.
O ozônio, por exemplo, apresentou uma escalada de concentração que atingiu dois dígitos de aumento em pontos de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia.
Da mesma forma, as emissões de dióxido de enxofre e a própria presença de monóxido de carbono em outras regiões desenharam uma curva ascendente que compromete a saúde pública em polos industriais e rotas de tráfego intenso.
A análise técnica do documento também detalha o comportamento agressivo dos materiais particulados em suspensão.
As micropartículas finas, que possuem diâmetro microscópico e capacidade letal de penetrar profundamente nos alvéolos pulmonares até alcançar a corrente sanguínea, registraram uma leve tendência de queda no estado de São Paulo.
Por outro lado, as partículas inaláveis ligeiramente maiores, que invadem e se alojam no trato respiratório superior através do nariz e da boca, apresentaram alta significativa em localidades mineiras, inclusive em áreas sensíveis como o entorno de instituições de ensino.
Essa oscilação reforça a cobrança institucional por estratégias integradas de controle de frota e expansão de inventários de emissões por parte dos governos estaduais.
Para mapear esse cobertor de fumaça, o país conta hoje com uma rede de quinhentas e setenta estações de medição, um salto estrutural em relação aos anos anteriores, mas que ainda esbarra em sérios gargalos de governança.
O próprio relatório admite falhas crônicas no envio de informações pelas gestões locais ao sistema nacional, com dezenas de bases inativas ou com status desconhecido, o que mascara a real dimensão do problema.
Especialistas do terceiro setor que acompanham o conselho ambiental avaliam que, embora a estruturação dos dados baseada na nova Política Nacional de Qualidade do Ar seja um avanço inegável, as metas intermediárias atuais são brandas e apenas refletem o que os estados já praticavam.
A grande lacuna apontada por esses analistas é a ausência de diretrizes rigorosas para lidar com os picos agudos de poluição diária, exigindo a criação imediata de planos de contingência para proteger a população nos dias em que o ar se torna literalmente irrespirável.




