Setor aéreo global enfrenta pressão com alta do combustível e novas regras ambientais

Foto: Ravena Rosa/Agência Brasil
Foto: Ravena Rosa/Agência Brasil

A indústria da aviação global enfrenta intensa pressão financeira em meio à disparada dos preços do querosene de aviação, impulsionada pelo conflito envolvendo o Irã, e às propostas de expansão na taxação de emissões na Europa.

No mercado doméstico brasileiro, as readequações logísticas e operacionais já estão em andamento.

A Azul, classificada como a terceira maior companhia aérea do país, intensifica os cortes de capacidade para controlar custos meses após a conclusão de um processo de recuperação judicial.

Após reduzir rotas internacionais no segundo trimestre, a estratégia técnica concentra-se na diminuição da frequência de voos domésticos, com projeção de um impacto financeiro de aproximadamente um bilhão de reais (204 milhões de dólares) no ano de 2026, gerado estritamente pela alta do combustível.

Paralelamente, a unidade brasileira da LATAM projeta uma redução de capacidade de 3% no mês de julho em comparação ao planejamento original.

Apesar do cenário logístico restritivo e da previsão de aumento nos custos, as métricas indicam que a demanda por passageiros permanece constante no mercado sul-americano.

O choque energético afeta as projeções do setor em escala global, reduzindo as margens de lucro estipuladas para 2026.

Os preços do querosene de aviação praticamente dobraram desde o início das ações militares no Oriente Médio, as quais impactaram o fornecimento oriundo das refinarias do Golfo Pérsico e a navegação pelo Estreito de Ormuz.

Projeções do mercado financeiro indicam que o barril de querosene de aviação pode atingir 170 dólares no segundo e no terceiro trimestres, um salto expressivo em relação à estimativa anterior fixada em 90 dólares.

Diante da volatilidade, a LATAM revisou sua previsão de lucro ajustado para o ano, reduzindo a margem para a faixa entre 3,8 bilhões e 4,2 bilhões de dólares, ao calcular que o insumo energético adicionará mais de 700 milhões de dólares aos custos em um único trimestre.

No mercado do hemisfério norte, as companhias aéreas norte-americanas registraram um aumento de 56,4% nos gastos com combustível em março, ultrapassando a marca de 5 bilhões de dólares, enquanto operadoras europeias efetuaram o corte de dezenas de milhares de voos de suas grades.

Concomitantemente à crise de suprimentos, o setor processa os impactos diretos de novas regulamentações ambientais.

O planejamento de expansão do Sistema de Comércio de Emissões (ETS) pela União Europeia visa abranger voos internacionais, extrapolando as rotas intra-europeias atualmente taxadas.

Desde o início de 2026, com o encerramento da emissão de licenças gratuitas, os custos operacionais relacionados à emissão de carbono passaram a flutuar entre 70 e 100 euros por tonelada de gás carbônico.

Cálculos técnicos apontam que a expansão obrigatória do sistema tem o potencial de adicionar, em média, 45 euros ao custo logístico de cada passagem em rotas com destino fora do bloco europeu.

A implementação do mecanismo regional europeu entra em divergência analítica com o sistema CORSIA, estabelecido pelas Nações Unidas, o qual baseia a compensação na aquisição de créditos de carbono sem a imposição de cortes absolutos em companhias de longo alcance.

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