O encarecimento reflete os impactos diretos da escalada militar entre os Estados Unidos e o Irã no mercado internacional de petróleo.
O avanço expressivo nas bombas ocorre mesmo após o governo federal anunciar um pacote de medidas econômicas para tentar conter a alta do combustível no mercado interno.
O levantamento do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, detalhou a escalada dos valores. No período anterior à guerra, em 25 de fevereiro, o diesel era comercializado por uma média de R$ 6,06.
Na 1ª semana de março, o valor subiu para R$ 6,13, saltando para R$ 6,95 no dia 11 e consolidando o patamar de R$ 7,17 entre os dias 14 e 15 do mesmo mês.
A gasolina comum e o etanol também registraram altas no período, embora com menor intensidade, passando de R$ 6,37 para R$ 6,64 e de R$ 4,74 para R$ 4,78, respectivamente.
A direção da Veloe explicou que a alta vertiginosa é resultado da sensibilidade estrutural do diesel às oscilações do mercado externo.
O derivado de petróleo é um dos produtos mais impactados por tensões geopolíticas e, por ser um insumo essencial para a logística global com uma oferta altamente ajustada, as variações de custo são repassadas de forma rápida e intensa aos consumidores finais.
Para tentar frear o impacto inflacionário, a Presidência da República editou um decreto zerando as alíquotas do PIS e da Cofins sobre a importação e a comercialização do diesel, além de publicar uma medida provisória instituindo uma subvenção financeira para os produtores e importadores.
O Ministério da Fazenda calculou que a combinação das 2 iniciativas teria o potencial de reduzir o preço final em até R$ 0,64 por litro, divididos igualmente entre a desoneração tributária e o subsídio estatal.
Apesar do esforço fiscal, a dinâmica do mercado internacional superou as medidas de contenção.
Em paralelo à crise externa, a Petrobras aplicou um aumento de R$ 0,38 no litro do diesel tipo A vendido às distribuidoras a partir do dia 14 de março.
Considerando a mistura obrigatória estabelecida por lei, que compõe o combustível final com 85% de diesel fóssil e 15% de biodiesel, o impacto estimado nas bombas é de R$ 0,32 por litro.
Com o reajuste, o preço médio cobrado pela estatal passou para R$ 3,65, representando uma fatia de R$ 3,10 na composição do preço final cobrado do motorista.
A alteração marcou a 1ª elevação após um longo período de estabilidade da companhia, que não aplicava um aumento desde fevereiro de 2025 e havia reduzido os valores pela última vez em maio do mesmo ano.




