A estratégia central do acordo inédito consiste em combinar a robusta engenharia automotiva da marca asiática, já equipada com tecnologias de condução desenvolvidas em colaboração com a startup britânica Wayve Technologies, diretamente com a capilaridade da plataforma mundial de corridas da Uber.
As diretorias de ambas as corporações trabalham nos ajustes finais do planejamento para iniciar a produção em massa desses veículos inteligentes, pavimentando o caminho para o lançamento oficial do serviço sem motorista no Japão e em outros mercados estratégicos ao longo dos próximos anos.
Nos bastidores corporativos, a investida agressiva no segmento de mobilidade inteligente representa uma verdadeira tábua de salvação para a Nissan, que atravessa uma das mais profundas crises financeiras de sua trajetória recente.
A montadora trabalha com a amarga projeção de um prejuízo líquido superior a quatro bilhões de dólares para o atual ano fiscal que se encerra em março, resultado direto de pesados e inadiáveis custos de reestruturação global.
Sob o comando do atual diretor executivo, Ivan Espinosa, a empresa precisou implementar cortes drásticos de postos de trabalho, concretizar a venda de sua sede histórica e planejar o doloroso fechamento de sua principal instalação fabril localizada no Japão.
Atualmente operando no nível dois de automação, que ainda exige a supervisão humana constante, a diretoria asiática enxerga a transição definitiva para a condução sem motorista como o pilar central de sua estratégia de recuperação financeira.
O alicerce tecnológico que sustenta essas ambições deriva de uma forte aliança formalizada pela montadora no final do ano passado com a promissora startup Wayve.
O acordo técnico prevê a integração iminente de um sofisticado software de inteligência artificial de ponta a ponta ao sistema de assistência ao motorista de próxima geração da Nissan.
Esse mecanismo inovador permite que as câmeras de bordo processem vídeos em tempo real para gerenciar a percepção do ambiente e a tomada imediata de decisões no trânsito urbano.
A desenvolvedora britânica, que recentemente atingiu uma avaliação de mercado superior a oito bilhões de dólares, conta inclusive com a própria Uber em seu seleto quadro de investidores.
O executivo-chefe da montadora reafirmou em notas oficiais que a combinação da vasta expertise de sua engenharia com essa inteligência digital estabelecerá um novo padrão de excelência na indústria.
A expectativa é que o primeiro modelo equipado com a tecnologia chegue às ruas japonesas em abril de dois mil e vinte e sete, acelerando a meta paralela da Uber de oferecer opções de corridas cem por cento autônomas em quinze grandes cidades globais até o final deste ano.




