Um novo levantamento de mercado divulgado nesta quinta-feira pela consultoria The Business Research Company traça um cenário de expansão agressiva, projetando que essa indústria quase triplicará de tamanho até o final da década.
As cifras globais saltarão da base de onze bilhões de dólares registrados no ano passado para a impressionante marca de quase trinta bilhões até 2030, impulsionadas por injeções maciças de capital de risco, inovações na propulsão elétrica e pela necessidade urgente de desafogar o caos viário das grandes metrópoles.
O atual calendário desponta como o divisor de águas decisivo para as gigantes aeroespaciais que lideram essa corrida rumo à comercialização, como Boeing, Airbus e subsidiárias de peso.
A desenvolvedora americana Joby Aviation, por exemplo, superou as projeções do mercado financeiro ao fechar o último trimestre com receitas milionárias e caixa blindado, e já prepara sua primeira aeronave para a etapa final de voos de certificação junto às autoridades federais dos Estados Unidos.
A confiança na operação é tamanha que a fabricante revelou uma parceria estratégica com a Uber para o lançamento de um serviço sob demanda dentro do próprio aplicativo de viagens, além de projetar o embarque de seus primeiros passageiros comerciais em Dubai ainda neste ano.
Em paralelo, o xadrez corporativo acompanha movimentações agressivas de propriedade intelectual, como a aquisição de centenas de patentes da falida Lilium pela Archer Aviation, e os avanços práticos da brasileira Eve Air Mobility, braço da Embraer que realizou o voo de seu protótipo em escala real recentemente e crava suas primeiras entregas para a próxima temporada.
Para que toda essa engenharia engula os céus legalmente, as engrenagens regulatórias precisaram ser destravadas com urgência.
Em solo americano, a Administração Federal de Aviação trabalha com a meta de anunciar já em março a seleção de projetos para o seu programa experimental de integração de veículos, com as primeiras operações em parceria com governos locais previstas para o verão do hemisfério norte.
Esse cronograma rigoroso caminha lado a lado com a inédita estratégia nacional elaborada pelo Departamento de Transportes, que estabeleceu um roteiro complexo e urgente focado na modernização do espaço aéreo e no desenvolvimento de infraestruturas de solo capazes de suportar dezenas de vertipórtos urbanos.
No mapa-múndi da inovação, o domínio hegemônico do setor ainda está em disputa aberta.
Embora o continente europeu tenha concentrado a maior fatia desse mercado no último ano, as análises macroeconômicas apontam que a América do Norte experimentará o crescimento mais vertiginoso nessa reta final da década.
Correndo por fora com carteiras abertas, o Oriente Médio consolida-se como um imenso laboratório a céu aberto para essas tecnologias.
Os Emirados Árabes Unidos saíram na vanguarda ao criar legislações flexíveis para operações híbridas e já costuram alianças com gestoras de infraestrutura europeias e companhias aéreas asiáticas para inaugurar plataformas integradas, transformando o horizonte de Dubai no primeiro grande palco global dessa nova era do transporte de passageiros.




