Mercado global de eVTOLs deve beirar os US$ 30 bilhões até 2030

Foto: Paola Ayala/Eve Air Mobility
Foto: Paola Ayala/Eve Air Mobility
A ficção científica está rapidamente cedendo espaço para balanços financeiros robustos e tráfego aéreo real. O setor de mobilidade aérea avançada, popularmente conhecido pela promessa dos táxis aéreos elétricos, entrou em uma fase de aceleração sem precedentes.

Um novo levantamento de mercado divulgado nesta quinta-feira pela consultoria The Business Research Company traça um cenário de expansão agressiva, projetando que essa indústria quase triplicará de tamanho até o final da década.

As cifras globais saltarão da base de onze bilhões de dólares registrados no ano passado para a impressionante marca de quase trinta bilhões até 2030, impulsionadas por injeções maciças de capital de risco, inovações na propulsão elétrica e pela necessidade urgente de desafogar o caos viário das grandes metrópoles.

O atual calendário desponta como o divisor de águas decisivo para as gigantes aeroespaciais que lideram essa corrida rumo à comercialização, como Boeing, Airbus e subsidiárias de peso.

A desenvolvedora americana Joby Aviation, por exemplo, superou as projeções do mercado financeiro ao fechar o último trimestre com receitas milionárias e caixa blindado, e já prepara sua primeira aeronave para a etapa final de voos de certificação junto às autoridades federais dos Estados Unidos.

A confiança na operação é tamanha que a fabricante revelou uma parceria estratégica com a Uber para o lançamento de um serviço sob demanda dentro do próprio aplicativo de viagens, além de projetar o embarque de seus primeiros passageiros comerciais em Dubai ainda neste ano.

Em paralelo, o xadrez corporativo acompanha movimentações agressivas de propriedade intelectual, como a aquisição de centenas de patentes da falida Lilium pela Archer Aviation, e os avanços práticos da brasileira Eve Air Mobility, braço da Embraer que realizou o voo de seu protótipo em escala real recentemente e crava suas primeiras entregas para a próxima temporada.

Para que toda essa engenharia engula os céus legalmente, as engrenagens regulatórias precisaram ser destravadas com urgência.

Em solo americano, a Administração Federal de Aviação trabalha com a meta de anunciar já em março a seleção de projetos para o seu programa experimental de integração de veículos, com as primeiras operações em parceria com governos locais previstas para o verão do hemisfério norte.

Esse cronograma rigoroso caminha lado a lado com a inédita estratégia nacional elaborada pelo Departamento de Transportes, que estabeleceu um roteiro complexo e urgente focado na modernização do espaço aéreo e no desenvolvimento de infraestruturas de solo capazes de suportar dezenas de vertipórtos urbanos.

No mapa-múndi da inovação, o domínio hegemônico do setor ainda está em disputa aberta.

Embora o continente europeu tenha concentrado a maior fatia desse mercado no último ano, as análises macroeconômicas apontam que a América do Norte experimentará o crescimento mais vertiginoso nessa reta final da década.

Correndo por fora com carteiras abertas, o Oriente Médio consolida-se como um imenso laboratório a céu aberto para essas tecnologias.

Os Emirados Árabes Unidos saíram na vanguarda ao criar legislações flexíveis para operações híbridas e já costuram alianças com gestoras de infraestrutura europeias e companhias aéreas asiáticas para inaugurar plataformas integradas, transformando o horizonte de Dubai no primeiro grande palco global dessa nova era do transporte de passageiros.

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