A Índia, que ocupa o cobiçado posto de terceiro maior importador de petróleo do planeta, precisou reverter dramaticamente sua política externa de compras de combustíveis fósseis.
Apenas algumas semanas após ter firmado o compromisso internacional de reduzir a dependência energética de Moscou, o governo indiano voltou a adquirir petróleo russo em massa para tentar frear o impacto do salto vertiginoso nos preços do barril e garantir o abastecimento interno de sua colossal população frente ao risco de escassez.
O estopim para essa forte crise de desabastecimento foi a deflagração da Operação Fúria Épica no final de fevereiro, quando caças dos Estados Unidos e de Israel lançaram bombardeios coordenados contra instalações nucleares e alvos estratégicos do regime iraniano, resultando inclusive na eliminação do seu líder supremo.
Como retaliação imediata e implacável, a Guarda Revolucionária Islâmica bloqueou completamente o Estreito de Ormuz, classificado como o ponto de estrangulamento marítimo mais crítico do mundo para o escoamento global de petróleo.
Sob a ameaça militar direta de que qualquer embarcação comercial que tentasse cruzar o canal seria severamente atacada, o tráfego de navios petroleiros entrou em colapso absoluto, culminando na suspensão imediata da cobertura de seguros contra riscos de guerra e elevando os prêmios das seguradoras a patamares não vistos há muitos anos.
A consequência direta desse bloqueio geopolítico atingiu em cheio os painéis das bolsas de valores ao redor do globo.
O preço do petróleo bruto disparou de sessenta e sete dólares antes do início das hostilidades para mais de setenta e sete dólares nesta quinta-feira (05/03), impulsionado por uma alta agressiva de mais de três por cento nos contratos futuros apenas nas últimas vinte e quatro horas.
Especialistas financeiros e gestores de grandes portfólios já alertam o mercado de que o custo do barril poderá romper a temida barreira dos cem dólares caso as interrupções logísticas no Golfo Pérsico se prolonguem, um cenário que inevitavelmente injetaria uma forte dose de inflação em toda a cadeia produtiva global e atrasaria a recuperação econômica das principais potências e países emergentes.




