Após reestruturar a operação da sua própria marca no país, o Grupo Hyundai assumirá oficialmente o comando da Kia no Brasil, encerrando a representação histórica do Grupo Gandini.
A mudança drástica de gestão faz parte de um acordo inédito fechado com o Governo Federal: para obter o perdão de uma dívida bilionária contraída pela marca na década de 1990, a montadora sul-coreana se comprometeu a construir uma nova fábrica no país.
O grave imbróglio financeiro remonta à atuação da extinta Asia Motors (que pertencia à Kia). Na época, a marca se beneficiou de agressivos incentivos fiscais sob a promessa de instalar uma linha de montagem nacional para veículos como a Towner e a Topic, o que nunca saiu do papel.
A dívida acumulada, que hoje atinge a casa dos R$ 6 bilhões em valores corrigidos, acabou recaindo sobre as operações locais da Kia, travando qualquer chance de avanço na infraestrutura fabril.
Com o novo acordo governamental, o saldo devedor será zerado em troca de um investimento maciço na indústria automotiva nacional.
A futura fábrica da Kia será construída no interior de São Paulo, vizinha à atual e moderna unidade da Hyundai em Piracicaba.
A expectativa é que o projeto gere um impacto econômico imediato na região, projetando a criação de 5 mil empregos diretos e cerca de 15 mil vagas indiretas.
A nova linha de montagem tem previsão de conclusão estrutural e operacional para 2028, marcando o início da produção dos primeiros carros nacionais da marca.
Até o fim deste ano de 2026, a transição administrativa será finalizada e a Hyundai passará a ditar todas as estratégias da Kia em território nacional.
O movimento do mercado prevê a chegada rápida de novos modelos, a expansão acelerada da rede de concessionárias e a possível adoção de revendas compartilhadas entre as duas fabricantes irmãs do grupo, otimizando os custos logísticos e comerciais.




