Aciaria e laminação da unidade Açonorte, no Curado, tiveram as operações encerradas; decisão expõe a distância entre o discurso de reindustrialização e a realidade no chão das fábricas
A Gerdau comunicou aos trabalhadores o encerramento das operações dos setores de aciaria e laminação da unidade Açonorte, localizada no bairro do Curado, na Zona Oeste do Recife. Informações divulgadas por funcionários e perfis locais apontam que aproximadamente 250 pessoas podem ser desligadas. O número, porém, ainda não foi detalhado oficialmente pela companhia. A fábrica não foi integralmente fechada, mas perdeu duas de suas etapas produtivas mais importantes.
A aciaria é responsável pela transformação de sucata e outras matérias-primas em aço, enquanto a laminação dá forma ao material produzido, originando barras, vergalhões e outros produtos utilizados principalmente pela construção civil e pela indústria. Com a interrupção dessas áreas, a unidade deixa de executar o núcleo da fabricação siderúrgica. Em reunião interna reproduzida nas redes sociais, representantes da empresa afirmaram que havia sido elaborado um plano em conjunto com o sindicato para atender os empregados afetados, mas os critérios das indenizações e eventuais realocações ainda não foram divulgados publicamente.
A decisão foi atribuída à falta de vendas e às dificuldades enfrentadas no mercado do aço. O episódio ocorre em meio às reclamações da siderurgia nacional sobre o avanço de produtos importados, especialmente da China, e sobre a perda de competitividade das fábricas brasileiras. A Gerdau já havia reduzido investimentos no país e alertado para possíveis cortes, embora tenha encerrado o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 1 bilhão, receita líquida de R$ 16,7 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 3 bilhões.
Para Recife, o impacto não termina nos portões da Açonorte. A retirada de centenas de salários de circulação atinge fornecedores, transportadoras, prestadores de serviços e o comércio da região. No plano nacional, o corte coloca novamente sob questionamento a política industrial do governo Lula: enquanto Brasília anuncia programas de “reindustrialização”, uma planta tradicional reduz sua produção e famílias recebem a conta. No discurso, a indústria avança; no Curado, quem avançou foi a fila das demissões.
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