A companhia aérea low-cost argentina Flybondi protocolou na Justiça de seu país um pedido de concurso preventivo, instrumento jurídico equivalente à recuperação judicial no Brasil, com o objetivo de reestruturar seus débitos, conter execuções financeiras e afastar o risco de falência.
A medida busca abrir uma negociação supervisionada com fornecedores de combustível e serviços de manutenção, arrendadores de aeronaves (lessors), órgãos fiscais, funcionários e passageiros que aguardam reembolso de voos cancelados.
O pedido reflete o colapso operacional da empresa no mercado aéreo sul-americano. Em agosto de 2025, a Flybondi transportou mais de 254 mil passageiros, respondendo por 17% do mercado interno argentino.
Exatamente um ano depois, em agosto de 2026, a movimentação despencou para 1.865 passageiros, reduzindo sua participação a 0,1%.
Da frota original, dez aviões foram devolvidos ou estão em processo de devolução aos proprietários, restando apenas três aeronaves em solo argentino, todas paralisadas, além de um passivo de US$ 5,5 milhões acumulado na manutenção de outros dois jatos mantidos no exterior.
O estrangulamento de caixa da companhia se intensificou com dívidas fiscais que superam 4 bilhões de pesos argentinos com a autoridade tributária local, somadas ao recente bloqueio de suas contas bancárias por decisão judicial.
O cenário de insolvência é agravado por uma disputa societária entre os grupos acionistas COC Global e Cartesian Capital Group.
Sob tutela da Justiça argentina, a empresa tenta alinhar um plano de pagamento com credores para tentar viabilizar a retomada de suas operações comerciais no futuro.




