Um incidente sem precedentes na mobilidade autônoma paralisou o trânsito da cidade chinesa de Wuhan na noite da última terça-feira, dia 31 de março.
Mais de 100 robotáxis operados pela empresa Apollo Go, subsidiária da gigante de tecnologia Baidu, sofreram uma pane simultânea e pararam de funcionar repentinamente em vias de grande circulação e viadutos.
O episódio, classificado pelas autoridades locais e pela mídia como a primeira paralisação em massa de veículos autônomos na China, deixou dezenas de passageiros presos no trânsito intenso por até duas horas.
A pane generalizada teve início por volta das 21h no horário local. Nas redes sociais chinesas, passageiros relataram a tensão de ficarem imobilizados dentro dos carros em meio ao fluxo rápido de outros veículos.
Embora o destravamento das portas continuasse funcionando, muitos hesitaram em abandonar as cabines devido ao risco de atropelamento nas avenidas movimentadas, optando por acionar a polícia de trânsito.
Telas no interior dos veículos exibiam mensagens automáticas informando uma falha no sistema de direção e prometendo a chegada de uma equipe de resgate em cinco minutos.
No entanto, o socorro demorou muito mais do que o previsto, com usuários relatando esperas de quase duas horas e dificuldades extremas para conseguir contato com a central de atendimento telefônico.
A imobilização abrupta da frota causou congestionamentos severos por toda a cidade e resultou em colisões traseiras quando motoristas humanos foram surpreendidos pelos robotáxis parados nas faixas de rolamento.
A polícia de trânsito de Wuhan emitiu um comunicado na madrugada seguinte confirmando que a interrupção geral foi provocada por uma falha de sistema, ressaltando que todos os ocupantes conseguiram sair em segurança e que não houve registro de feridos.
Enquanto as autoridades apontam para um erro sistêmico amplo, o serviço de atendimento da Apollo Go tentou minimizar o caso justificando a pane como um problema de rede isolado.
Especialistas do setor automotivo avaliam que essa divergência expõe a vulnerabilidade das tecnologias de condução autônoma que dependem fortemente de conexão em nuvem.
Analistas sugerem que os veículos provavelmente entraram em um protocolo obrigatório de segurança exigido para a automação de Nível 4, conhecido como condição de risco mínimo.
Esse comando força a parada total do carro quando o software perde a confiabilidade operacional.
Embora a medida seja projetada para evitar acidentes graves em movimento, o episódio evidenciou que congelar o veículo em vias rápidas cria novos e graves riscos de segurança viária.
O caso amplia a pressão e o escrutínio sobre o projeto da Baidu, que já expandiu seu serviço de robotáxis para 22 cidades e opera inclusive em mercados internacionais como Suíça e Dubai.
Na manhã de quarta-feira (01/04), a empresa informou que os veículos afetados já haviam retomado as operações normais.




