Francisco Gomes Neto, presidente-executivo da Embraer, anunciou nesta terça-feira que a Eve, subsidiária da companhia voltada para o desenvolvimento de aeronaves elétricas, tem o potencial de contribuir com uma receita anual variando entre um bilhão e 1,5 bilhão de dólares.
A projeção, detalhada a jornalistas na sede da empresa em São José dos Campos, baseia-se no aumento projetado para a escala de produção e na consolidação da fabricante brasileira no emergente mercado de mobilidade aérea urbana.
O planejamento estratégico indica que as aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL) da marca devem receber as certificações regulatórias e iniciar suas operações comerciais oficiais em 2028.
O balanço corporativo da Embraer sinaliza uma trajetória de expansão acelerada, com a estimativa oficial apontando que a receita total da fabricante em 2026 alcance entre 8,2 bilhões e 8,5 bilhões de dólares, além da ambição de ultrapassar a marca dos dois dígitos em bilhões até 2030.
Logo no primeiro trimestre deste ano, a companhia registrou uma receita recorde de 1,4 bilhão de dólares, o que representa um crescimento substancial de 31% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Paralelamente, a Eve Holding reportou um prejuízo líquido de 68,8 milhões de dólares no mesmo trimestre, um resultado considerado esperado, visto que a subsidiária continua injetando um alto volume de capital no desenvolvimento tecnológico de sua frota à espera da certificação de voo, apoiada por uma captação de 94 milhões de dólares em novos financiamentos no último mês de abril.
No campo operacional, a engenharia da Eve já concluiu 50 voos bem-sucedidos utilizando o seu protótipo inicial, tendo como meta técnica registrar 300 decolagens de teste ainda este ano, antecedendo o início da produção de seis protótipos conformes para os testes de certificação aeronáutica.
A expansão global também avança estrategicamente, com a Índia figurando como um mercado-alvo primordial.
Nesse sentido, a Eve firmou parcerias com a Hunch Mobility para implementar rotas urbanas em Bengaluru e com a Fly Blade India para a implantação de até 200 aeronaves no país, aproveitando a presença já estabelecida da Embraer, que opera cerca de 50 aeronaves na região.
Em uma perspectiva global abrangente, a subsidiária de veículos elétricos já detém cartas de intenção ativas para a venda de aproximadamente 2.800 unidades.
Estes acordos são oriundos de cerca de 30 operadores logísticos distribuídos em 12 países diferentes, configurando uma receita potencial estimada em 14 bilhões de dólares para o futuro comercial da marca.






